A EDUCAÇÃO FÍSICA EXIGE RESPONSABILIDADE, FISCALIZAÇÃO E RESPEITO À LEI
POR MARCELO BRAGA
A Educação Física brasileira avançou muito nas últimas décadas. Hoje contamos com o Conselho Federal de Educação Física e com Conselhos Regionais em praticamente todos os estados do país, responsáveis pela orientação, regulamentação e fiscalização da profissão. Isso representa uma grande conquista para os profissionais habilitados e para toda a sociedade.
Porém, infelizmente, ainda convivemos com uma realidade preocupante: muitas escolinhas esportivas, academias, projetos comunitários, treinos funcionais, artes marciais e atividades físicas continuam funcionando sem a presença de um profissional devidamente habilitado. Em muitos bairros existem pessoas abnegadas, apaixonadas pelo esporte, que dedicam seu tempo para ensinar crianças e jovens. Sabemos que muitas delas possuem boas intenções e exercem importante papel social dentro das comunidades.
Mas é preciso compreender que boa vontade não substitui formação profissional. A legislação brasileira existe para proteger a sociedade. Quando uma profissão é regulamentada, ela exige responsabilidade técnica, qualificação e conhecimento científico. Desenvolver atividades físicas, orientar treinamentos e trabalhar diretamente com o corpo humano sem habilitação pode configurar exercício ilegal da profissão.
Sempre defendi junto a gestores da Secretaria de Esportes de São Francisco do Sul a necessidade de reunir esses voluntários, treinadores comunitários e responsáveis por escolinhas esportivas para buscar caminhos legais, orientação técnica e apoio institucional. Isso não envolve apenas o futsal e o futebol, mas também outras modalidades esportivas, academias, projetos recreativos e principalmente as artes marciais.
A Secretaria de Esportes poderia criar programas de capacitação, cadastramento e acompanhamento dessas pessoas que atuam nos bairros. O esporte é ferramenta de inclusão social, disciplina e cidadania, mas precisa caminhar junto com a legalidade, a segurança e a fiscalização.
Outro ponto extremamente grave é a falta de fiscalização em algumas atividades desenvolvidas com crianças e adolescentes. Casos envolvendo abusos, violência e até pedofilia têm sido constantemente divulgados nas redes sociais e nos meios de comunicação. Isso exige atenção máxima das autoridades, dos pais e também dos órgãos responsáveis pela fiscalização profissional.
Academias, escolinhas, projetos esportivos, artes marciais e até algumas instituições escolares precisam ser fiscalizados de forma séria e permanente. Pais devem procurar saber quem são os responsáveis pelas atividades, se possuem formação adequada, registro profissional e condições seguras para trabalhar com crianças e adolescentes.
Não podemos permitir que atividades tão importantes para a saúde e formação humana sejam conduzidas sem responsabilidade. Valorizar o profissional de Educação Física não significa atacar voluntários ou pessoas apaixonadas pelo esporte. Significa defender qualidade, ética, segurança e respeito às leis que regulamentam a profissão.
Se existe Conselho Regional, que a fiscalização aconteça. Se existe legislação, que ela seja cumprida. O esporte transforma vidas, mas somente quando desenvolvido com responsabilidade, competência e compromisso verdadeiro com nossas crianças e jovens.





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