domingo, 6 de setembro de 2026

 


7 DE SETEMBRO: MAIS DO QUE UMA DATA, UMA MEMÓRIA QUE ESTÁ SE PERDENDO

Por Professor Marcelo Braga

O dia 7 de Setembro sempre despertou em mim uma lembrança muito especial. Para a minha geração, a Independência do Brasil não era apenas uma data marcada no calendário ou um feriado. Era um momento vivido dentro e fora da escola, com ensaios, apresentações, desfiles, bandeiras, fanfarras e, principalmente, com o aprendizado dos nossos símbolos e da nossa história.

Quando lembro da minha infância e da minha juventude, lembro também do Colégio Francisquense. Recordo dos momentos em que aprendíamos e cantávamos os hinos. O professor Floriano tocava piano enquanto nós, alunos, acompanhávamos cantando. Talvez para muitos isso pareça algo simples ou pertencente a um passado distante, mas aquelas experiências contribuíram para nossa formação. Não estávamos apenas aprendendo uma música; estávamos conhecendo um pouco da história do nosso país e aprendendo a respeitar os símbolos que representam a nossa identidade nacional.

Hoje, quando observo a realidade de muitas escolas, não consigo deixar de fazer uma reflexão. São poucas as instituições que ainda mantêm momentos de homenagem cívica ao longo do ano. Em algumas escolas, o hasteamento da Bandeira Nacional e a execução dos hinos acontecem somente em datas comemorativas. Em outras, essas práticas praticamente desapareceram da rotina escolar. E o mais preocupante é perceber que existem alunos que chegam aos anos finais da escolarização sem conhecer adequadamente o Hino Nacional e outros símbolos importantes do nosso país.

Não estou defendendo que a escola volte simplesmente a repetir práticas do passado sem reflexão. A educação mudou, a sociedade mudou e os estudantes também mudaram. O que defendo é que não podemos confundir modernização da educação com abandono da nossa história. Ensinar cidadania também significa ensinar o estudante a conhecer o país onde vive, compreender sua história, respeitar seus símbolos e entender os direitos e deveres que fazem parte da vida em sociedade.

O civismo não deveria aparecer somente no dia 7 de Setembro. Ele deveria fazer parte da formação cotidiana dos nossos estudantes. Conhecer a Bandeira Nacional, compreender o significado das cores e dos símbolos, aprender os hinos, conhecer personagens e acontecimentos importantes da história brasileira e discutir o significado de cidadania são possibilidades educativas que podem contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes.

Também precisamos ter cuidado para não transformar o civismo em uma simples obrigação mecânica. Fazer os alunos ficarem em posição, cantar um hino sem compreender sua letra ou participar de um desfile apenas porque está no calendário não garante formação cidadã. O verdadeiro sentido está em explicar às crianças e aos jovens o significado daquilo que estão fazendo. Quando o aluno entende a história, ele deixa de apenas repetir e começa a compreender.

Talvez uma das maiores perdas dos últimos anos seja justamente essa relação entre memória, escola e comunidade. Os antigos desfiles reuniam estudantes, professores, famílias, bandas e diferentes instituições. As pessoas saíam às ruas para assistir, participar e prestigiar. Havia uma preparação que começava muito antes do desfile. Existia expectativa, envolvimento e sentimento de pertencimento.

Não precisamos dizer que tudo era melhor antigamente. O passado também tinha seus problemas e não deve ser romantizado. Porém, precisamos ter coragem para reconhecer que algumas tradições importantes foram abandonadas sem que colocássemos nada verdadeiramente significativo no lugar. Podemos modernizar nossas escolas, utilizar tecnologia, trabalhar novas metodologias e preparar nossos alunos para o futuro sem abrir mão da história, da cidadania e da memória.

O 7 de Setembro pode ser justamente uma oportunidade para essa reflexão. Mais do que organizar um desfile ou realizar uma cerimônia, podemos aproveitar a data para conversar com nossos estudantes sobre o Brasil, sua história, suas conquistas, seus problemas, sua democracia e o papel de cada cidadão na construção do país.

Quando penso na minha própria história, volto àquelas lembranças do Colégio Francisquense. Vejo novamente os alunos aprendendo os hinos, lembro do professor Floriano tocando piano e das nossas vozes cantando juntas. São lembranças de uma época que passou, mas que continua presente na memória. Talvez seja justamente essa a importância da educação: aquilo que aprendemos verdadeiramente pode permanecer conosco durante toda a vida.

Por isso, neste 7 de Setembro, mais do que perguntar se ainda devemos realizar desfiles, acredito que precisamos fazer uma pergunta muito maior: estamos ensinando nossas crianças e nossos jovens a conhecer, respeitar e valorizar a história do país onde vivem?

O civismo não precisa ser imposto. Ele pode ser ensinado por meio do conhecimento, da história, da música, da cultura, da participação e do exemplo. E talvez esteja na hora de recuperarmos esse espaço dentro das nossas escolas.

Porque um país que não ensina sua história corre o risco de formar gerações que conhecem muito sobre o mundo, mas pouco sobre suas próprias raízes.

E você, quais lembranças o 7 de Setembro traz para você? Você participou de desfiles? Aprendeu os hinos na escola? Lembra das fanfarras, das bandeiras, dos professores e daqueles momentos vividos na infância?

Conte sua lembrança nos comentários. Talvez a sua memória também faça parte da história de alguém.

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