sexta-feira, 25 de setembro de 2026

 

2026: ELEIÇÃO PARA DEPUTADO OU CONSTRUÇÃO PARA 2028?

O eleitor merece propostas claras e transparência sobre os projetos políticos em construção.

São Francisco do Sul terá, nas eleições de 2026, candidatos a deputado estadual buscando o voto dos eleitores. E uma pergunta precisa ser colocada na mesa: quais são, de fato, as propostas de cada candidato para a nossa cidade? O calendário eleitoral prevê a escolha de deputados estaduais e federais em 4 de outubro de 2026.

O voto é livre e pertence ao eleitor. Por isso mesmo, ninguém deveria votar apenas pelo nome, pela amizade, pelo partido ou pela capacidade de mobilização de um grupo. O eleitor precisa ter a oportunidade de conhecer ideias, projetos, prioridades e compromissos. Quem sabe nas próximas eleições um debate aberto entre os candidatos a deputado pela cidade .

Existe também uma discussão que não pode ser ignorada. Algumas movimentações políticas de 2026 podem estar relacionadas à construção de projetos para as eleições municipais de 2028. Isso, por si só, não é uma acusação nem significa que determinada candidatura tenha essa finalidade. Mas é uma questão legítima para o eleitor observar: quem está apresentando um projeto para representar São Francisco do Sul e quem também está construindo uma estrutura política para o futuro? 

Santa Catarina tem uma disputa muito maior no conjunto do Estado. Para a Assembleia Legislativa, a Alesc informa atualmente 404 candidatos para 40 vagas. Os partidos e federações estão distribuídos entre diversas legendas.

Portanto, São Francisco do Sul tem uma quantidade considerável de nomes ligados à cidade, mas ter muitos candidatos não significa necessariamente ter representação garantida. É justamente aí que entra a ideia central do seu artigo: por que não colocar esses candidatos frente a frente para que a população conheça suas propostas?

Assim, pelo critério de ligação direta identificável com São Francisco do Sul, temos 11 nomes confirmados: 10 para deputado estadual e 1 para deputado federal, distribuídos por 10 partidos: PDT, PSDB, Podemos, PRD, PT, PP, Republicanos, União Brasil, Avante e DC.

Os candidatos ligados a São Francisco do Sul não disputarão votos somente dentro do município. Como a eleição para deputado estadual ocorre em todo o Estado, cada candidatura precisa buscar votos em diferentes cidades de Santa Catarina. O mesmo eleitorado de outros municípios também será procurado por candidatos de diversas regiões. 

É uma verdadeira faca de dois gumes. São Francisco do Sul pode querer eleger alguém da cidade, enquanto outras cidades também podem defender seus próprios nomes. No sistema proporcional, entretanto, o candidato precisa construir uma votação mais ampla, porque a disputa pelas cadeiras da Assembleia Legislativa envolve todo o eleitorado catarinense.

Por isso, a discussão não deveria ser apenas “quem é de São Francisco do Sul?”, mas também “qual projeto esse candidato apresenta para São Francisco do Sul e para Santa Catarina?”

É justamente por isso que um debate entre os candidatos seria tão importante. Colocar todos diante das mesmas perguntas permitiria à população conhecer suas propostas para educação, saúde, infraestrutura, porto, turismo, segurança, esporte, cultura e desenvolvimento econômico. 

A democracia não precisa de campanha baseada apenas em imagens e discursos. Precisa de propostas colocadas frente a frente e de eleitores com liberdade para decidir. No final, cada cidadão fará sua escolha. Mas antes de votar, São Francisco do Sul merece perguntar:

Quem realmente tem um projeto para a cidade?

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

 

QUANDO A ESCOLA VIRA TERRITÓRIO DE DISPUTA

Drogas, cigarros eletrônicos e ameaças: até quando vamos fingir que o problema não existe dentro das escolas?

Existe um assunto que precisa deixar de ser tratado apenas nos corredores das escolas: o avanço do uso de cigarros eletrônicos, vapes, pods e a presença de drogas no ambiente escolar. Nas escolas públicas de Ensino Médio de São Francisco do Sul, essa é uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade, coragem e responsabilidade. Não se trata de perseguir estudantes. Trata-se de proteger estudantes.

O cigarro eletrônico não é simplesmente um "objeto que o aluno leva para a escola". No Brasil, a Anvisa mantém proibidas a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda dos dispositivos eletrônicos para fumar, conforme a RDC nº 855/2024. A mesma norma também proíbe o uso desses dispositivos em recintos coletivos fechados.

E a legislação não deixa a escola desamparada diante do problema das drogas. O Estatuto da Criança e do Adolescente, com a alteração promovida pela Lei nº 13.840/2019, estabelece que instituições de ensino devem assegurar medidas de conscientização, prevenção e enfrentamento ao uso ou dependência de drogas ilícitas. Ou seja: prevenir e enfrentar esse problema também fazem parte da responsabilidade institucional da escola.

A pergunta que precisa ser feita é: o que acontece quando o professor ou gestor decide cumprir essa responsabilidade?

Eu posso falar também pela experiência que vivi. Enquanto gestor escolar, enfrentei situações relacionadas ao combate a esse tipo de comportamento e cheguei a receber três ameaças. Não estou dizendo isso para me colocar como vítima ou herói. Estou dizendo porque existe uma realidade que muitas vezes não aparece nas estatísticas: há profissionais da educação que enfrentam situações de conflito simplesmente por tentar fazer cumprir regras dentro da escola.

E aqui está a parte mais incômoda: quando a escola identifica um aluno utilizando vape, cigarro ou envolvido com drogas, qual deve ser a atitude? Fingir que não viu? Ignorar para evitar conflito? Ou agir dentro da lei, comunicar a família, registrar a ocorrência, acionar os órgãos responsáveis quando necessário e desenvolver ações de prevenção?

A escola não pode ser transformada em território onde o medo determina o que o professor pode ou não pode fazer.

Ao mesmo tempo, é preciso ter responsabilidade: combater drogas não significa criminalizar automaticamente todo adolescente que apresenta um comportamento de risco. O estudante precisa de orientação, acompanhamento, diálogo com a família e, quando necessário, encaminhamento à rede de proteção. Segurança e educação precisam caminhar juntas.

Os números nacionais mostram que o problema merece atenção. Dados da PeNSE 2024, divulgados pelo IBGE em 2026, apontaram crescimento expressivo do consumo recente de cigarros eletrônicos entre adolescentes. O Ministério da Justiça também destacou aumento superior a 300% nesse indicador em comparação com a edição anterior da pesquisa.

Portanto, não estamos falando apenas de uma "modinha entre adolescentes". Estamos falando de nicotina, dependência, saúde, disciplina, segurança e responsabilidade educacional.

Mas há outra pergunta que precisa ser feita: quem protege o professor que enfrenta esse problema?

Não adianta exigir que o gestor combata drogas, violência, indisciplina e uso de produtos proibidos dentro da escola se, quando ele toma uma atitude, fica sozinho diante das consequências. O profissional precisa de respaldo da direção, da mantenedora, da Secretaria de Educação, da família e, quando a situação exigir, dos órgãos de segurança e da rede de proteção.

São Francisco do Sul já teve atuação do Ministério Público na discussão sobre segurança das instituições de ensino, inclusive com investigação voltada à prevenção da violência escolar.

A escola precisa educar. Mas não pode educar com medo.

O silêncio pode até evitar um conflito hoje, mas não resolve o problema amanhã. Se queremos proteger nossos adolescentes, precisamos parar de tratar drogas, vapes e violência escolar como assuntos proibidos dentro da escola. Eles precisam ser discutidos de frente, com informação, prevenção, responsabilidade e autoridade.

Porque uma coisa precisa ficar muito clara:

PROTEGER O ALUNO NÃO É PASSAR A MÃO NA CABEÇA.
E EXIGIR RESPEITO ÀS REGRAS NÃO É PERSEGUIR ALUNO.

A escola pública precisa continuar sendo espaço de educação, conhecimento e oportunidades. Mas para isso, professores e gestores também precisam estar protegidos para fazer aquilo que a sociedade espera deles: educar, orientar e, quando necessário, dizer NÃO.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

 




O QUE PRECISAMOS MUDAR EM NOSSA VIDA PARA TER SAÚDE MENTAL?

A vida está pesada demais? Talvez seja hora de parar.

MARCELO BRAGA 


Vivemos em uma sociedade que parece exigir que estejamos bem o tempo inteiro. Precisamos trabalhar, produzir, cuidar da família, pagar contas, responder mensagens, acompanhar as redes sociais e ainda demonstrar que estamos felizes. Muitas vezes, quando o corpo pede descanso e a mente pede socorro, continuamos seguindo como se nada estivesse acontecendo.

Mas ninguém consegue carregar o mundo nas costas indefinidamente.


Os números mostram que o sofrimento mental não pode mais ser tratado como um problema individual ou como falta de força de vontade. Em 2024, o Brasil registrou 472.328 concessões de benefícios previdenciários por transtornos mentais, segundo dados do Ministério da Previdência Social divulgados pelo governo federal. O número representou um aumento de aproximadamente 68% em relação a 2023. Ansiedade e depressão estão entre as principais razões desses afastamentos.

Por trás de cada número existe uma pessoa, uma família, uma história e, muitas vezes, uma dor que ninguém percebeu.


O problema também aparece quando olhamos para os dados sobre suicídio. O Ministério da Saúde registrou mais de 15,5 mil mortes por suicídio no Brasil em 2021, aproximadamente uma morte a cada 34 minutos naquele ano. A análise oficial mostrou que a taxa de mortalidade por suicídio cresceu 42% entre 2010 e 2021, passando de 5,2 para 7,5 mortes por 100 mil habitantes.

Esses números não são apenas estatísticas. São vidas interrompidas e famílias que precisam conviver com uma perda que jamais será esquecida.


Precisamos parar de acreditar que falar sobre sofrimento é sinal de fraqueza. Depressão, ansiedade e outros transtornos mentais são questões de saúde e podem precisar de acompanhamento profissional. O próprio Ministério da Saúde destaca que o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial e que a prevenção é possível.

Pedir ajuda não diminui ninguém. Às vezes, pedir ajuda é justamente o primeiro passo para continuar.


Talvez uma das grandes mudanças que precisamos fazer seja aprender a respeitar nossos próprios limites. Não precisamos aceitar todas as cobranças, resolver todos os problemas, agradar todas as pessoas ou provar nosso valor o tempo inteiro.

Descansar não é perder tempo. Dizer não não é egoísmo. Procurar ajuda não é vergonha. Reconhecer que estamos cansados não significa desistir da vida.

Significa reconhecer que somos humanos.


Também precisamos olhar para as pessoas que estão ao nosso lado. Quantas vezes perguntamos “você está bem?” esperando apenas ouvir “estou”? Quantas vezes percebemos que alguém mudou, ficou mais isolado, perdeu o interesse pelas coisas ou começou a demonstrar um sofrimento que antes não existia?

Uma conversa pode não resolver tudo, mas pode abrir uma porta para que alguém procure ajuda.

O silêncio não pode ser nossa única resposta diante da dor.


Precisamos construir uma vida em que saúde mental tenha espaço. Isso significa buscar equilíbrio entre trabalho e descanso, cultivar relações que façam bem, diminuir aquilo que nos adoece, cuidar do corpo, respeitar nossos limites e procurar atendimento profissional quando necessário.

Não existe uma fórmula única para uma mente saudável. Cada pessoa possui sua história, suas dificuldades e suas necessidades.

Mas existe algo que todos podemos fazer: parar de fingir que está tudo bem quando não está.


A pergunta talvez não seja apenas “como conseguir dar conta de tudo?”.

Talvez seja necessário perguntar:

“Por que estou tentando dar conta de tudo sozinho?”

A vida pode ficar pesada. Podemos nos sentir cansados, frustrados, perdidos ou sem forças. Nessas situações, conversar com alguém de confiança e procurar ajuda profissional pode ser fundamental.

E quando o sofrimento envolver pensamentos de morte ou de tirar a própria vida, é importante buscar ajuda imediatamente. No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo número 188, além dos serviços de saúde e emergência.


A VIDA ESTÁ PESADA DEMAIS?

Talvez seja hora de parar.

Não para desistir.

Para respirar.

Para olhar para dentro.

Para reconhecer que você também precisa de cuidado.

Para pedir ajuda.

Para entender que cuidar da saúde mental não é luxo.

É cuidar da própria vida.

E você, tem cuidado de si ou está apenas tentando sobreviver à rotina?



sexta-feira, 11 de setembro de 2026

 


QUANDO SEU  FILHO  ERRAR , SEJA PAI/MÃE  E NÃO ADVOGADO(A)  DE DEFESA 

CRÔNICA PROFESSOR MARCELO BRAGA 

Existe uma cena que, infelizmente, tem se tornado cada vez mais comum dentro das escolas. O telefone toca. A família recebe uma notícia sobre o comportamento do filho. Em vez de ouvir, compreender e conversar, alguns pais chegam à escola armados de indignação. Não querem saber exatamente o que aconteceu. Não querem ouvir o professor. Não querem entender o contexto. Querem apenas defender o filho, custe o que custar.

E aqui precisamos fazer uma pergunta que pode incomodar muita gente: quando foi que educar passou a significar proteger os filhos de toda e qualquer consequência de seus próprios atos?

Há pais que acreditam que amar é nunca contrariar. Que proteger é justificar tudo. Que defender é colocar em dúvida a palavra do professor, da pedagoga, da direção e de qualquer adulto que tente estabelecer um limite. O filho chega em casa contando uma versão dos fatos e, imediatamente, aquela versão vira verdade absoluta. Não existe investigação. Não existe diálogo. Não existe sequer a possibilidade de o filho ter errado.

O problema é que a vida não funciona assim.

Na escola, o aluno precisa aprender que suas atitudes produzem consequências. Se desrespeitou um colega, precisa compreender o erro. Se ofendeu um professor, precisa responder pelo que fez. Se desobedeceu uma regra, precisa entender por que aquela regra existe. Se prejudicou alguém, precisa aprender a reparar o dano. Isso não é perseguição. Isso é educação.

Mas alguns responsáveis transformaram qualquer correção em uma ofensa pessoal contra o filho. Se o professor chama a atenção, dizem que o professor não gosta da criança. Se a escola aplica uma consequência, dizem que estão perseguindo o aluno. Se a direção estabelece um limite, procuram alguém para responsabilizar. E assim, pouco a pouco, retiram dos filhos a oportunidade mais importante da formação: aprender com os próprios erros.

É preciso dizer uma coisa que talvez muitos pais não queiram ouvir: se você sempre tirar seu filho das consequências, alguém terá que lidar com elas no futuro. E esse alguém poderá ser um chefe, um colega de trabalho, um parceiro, uma autoridade, um juiz, a própria sociedade ou a vida.

Porque o mundo lá fora não será tão paciente quanto a família. Ninguém poderá ligar para o chefe do filho adulto toda vez que ele cometer um erro. Ninguém poderá aparecer no trabalho para explicar por que ele não cumpriu uma responsabilidade. Ninguém poderá enfrentar todas as pessoas que discordarem dele. A vida cobra aquilo que a família deixou de ensinar.

E existe uma diferença enorme entre defender um filho e passar a mão na cabeça dele. Defender significa garantir que ele seja tratado com respeito, que seja ouvido e que não sofra uma injustiça. Passar a mão na cabeça significa negar o erro mesmo quando ele é evidente. Pais responsáveis não precisam concordar com tudo o que a escola diz, mas precisam ter maturidade para investigar antes de julgar.

Também é preciso respeitar o professor. O professor não está na escola para ser inimigo da família. Ele está ali para ensinar, orientar, corrigir e participar da formação daquele aluno. Quando um pai desautoriza constantemente o professor diante do filho, está ensinando uma lição perigosa: “se um adulto colocar limite em você, enfrente-o e procure alguém que o defenda.”

Depois, quando esse mesmo adolescente não respeita autoridade, não aceita um “não”, não suporta uma crítica, não reconhece um erro ou acredita que sempre tem razão, muitos se perguntam: “Onde foi que erramos?”

Talvez a resposta esteja justamente naquilo que fizemos durante anos.

Filhos não precisam de pais que sejam seus advogados em todas as situações. Precisam de pais que tenham coragem de ser seus educadores. Precisam ouvir: “Eu amo você, mas você errou.” Precisam ouvir: “Vou conversar com a escola, mas primeiro quero entender o que aconteceu.” Precisam aprender que pedir desculpas não diminui ninguém. Que reconhecer um erro é sinal de maturidade. Que respeitar professores e funcionários faz parte da convivência em sociedade.

A escola também precisa fazer sua parte, é claro. Precisa ouvir as famílias, agir com justiça, respeitar os alunos e manter diálogo aberto. Mas parceria não significa submissão da escola aos desejos dos responsáveis. Família e escola precisam estar do mesmo lado: o lado da formação da criança e do adolescente.

Quando família e escola entram em uma disputa para descobrir quem está certo, muitas vezes quem perde é justamente aquele que deveria estar no centro de tudo: o aluno.

Pais, seus filhos não precisam que vocês os protejam de todas as dificuldades. Precisam que vocês os preparem para enfrentá-las.

Não tenham medo de dizer “não”. Não tenham medo de corrigir. Não tenham medo de estabelecer limites. Não tenham medo de admitir que seu filho pode ter errado.

Porque o maior ato de amor não é impedir que seu filho enfrente as consequências. É ensiná-lo a ter responsabilidade suficiente para enfrentá-las.

E talvez um dia ele agradeça por vocês não terem sido seus advogados.

Mas terem escolhido ser seus pais.

 

QUANDO O GESTOR ADOECE A ESCOLA: A FALTA DE EMPATIA QUE ESTÁ ADOECENDO AS EQUIPES

Falar sobre gestão escolar é falar, antes de tudo, sobre pessoas. Uma escola não é formada apenas por salas de aula, documentos, reuniões, metas, avaliações e relatórios. Ela é construída diariamente por professores, funcionários, alunos, famílias e gestores que precisam caminhar juntos para que a educação aconteça de verdade. Quando essa relação se perde e a gestão passa a enxergar a equipe apenas como parte de um sistema que precisa cumprir ordens, a escola começa a adoecer silenciosamente.

O gestor escolar possui responsabilidades importantes e precisa cumprir normas, orientações, prazos e determinações do sistema educacional. No entanto, cumprir uma determinação não significa deixar de enxergar as pessoas que serão atingidas por ela. O gestor que simplesmente repassa todas as cobranças para sua equipe, sem ouvir, dialogar ou procurar alternativas, acaba se tornando apenas um representante da burocracia dentro da escola. E quando isso acontece, o profissional que está na ponta começa a sentir que não possui mais alguém para defendê-lo.

Durante oito anos, vivi a gestão escolar e conheci de perto as dificuldades, as cobranças e as responsabilidades que fazem parte dessa função. Sei que dirigir uma escola não é simples. Existem conflitos, problemas com alunos, famílias, professores, funcionários e também uma enorme pressão vinda de instâncias superiores. Entretanto, mesmo diante de todas essas dificuldades, sempre acreditei que um gestor não pode esquecer que, antes de qualquer função ou cargo, existe uma equipe formada por seres humanos.

Durante minha trajetória na gestão, lutei muito pela escola e pelas pessoas que trabalhavam comigo. Procurei defender minha equipe, ouvir suas dificuldades e buscar soluções para os problemas que surgiam. Nunca precisei puxar o saco de ninguém para fazer aquilo que acreditava ser correto. Não fiz da gestão um instrumento para agradar pessoas ou conquistar benefícios pessoais. Muitas vezes escolhi defender minha equipe, mesmo sabendo que aquela decisão poderia me trazer consequências.

Hoje, olhando para trás, reconheço que algumas escolhas tiveram um preço. Talvez eu pudesse ter escolhido o caminho mais fácil, o silêncio conveniente ou simplesmente ter obedecido e transferido as cobranças para os outros. Mas não foi isso que fiz. Sempre entendi que liderar também significa assumir responsabilidades e, principalmente, proteger aqueles que trabalham ao nosso lado quando eles precisam de apoio.

O problema é que nem todo gestor pensa dessa maneira. Existem profissionais que, depois que assumem uma função de liderança, parecem esquecer de onde vieram. Esquecem que um dia também estiveram em uma sala de aula, enfrentaram dificuldades, tiveram problemas, precisaram de compreensão e também esperaram que alguém os ouvisse. Quando chegam à gestão, passam a enxergar os colegas de outra maneira e acabam se aproximando mais do sistema do que das pessoas que deveriam liderar.

É nesse momento que a falta de empatia começa a destruir uma equipe. O professor deixa de ser ouvido, o funcionário deixa de se sentir valorizado e as pessoas começam a trabalhar apenas para cumprir suas obrigações. A criatividade desaparece, a participação diminui e o sentimento de pertencimento vai sendo substituído pela frustração. Aos poucos, profissionais que tinham vontade de contribuir passam a pensar apenas em terminar o expediente e ir embora.

Não podemos ignorar que o ambiente de trabalho também influencia a saúde emocional das pessoas. Uma cobrança constante, a falta de reconhecimento, a ausência de diálogo, a exposição diante dos colegas, a sensação de injustiça e a falta de apoio podem transformar o cotidiano escolar em um ambiente extremamente desgastante. Quando isso se repete durante meses ou anos, o profissional pode perder a motivação e começar a apresentar sinais de esgotamento.

Por isso, quando falamos sobre o adoecimento dos profissionais da educação, precisamos olhar para todos os lados. Não podemos colocar toda a culpa no professor, como se ele fosse simplesmente incapaz de lidar com as dificuldades da profissão. Também não podemos atribuir todos os problemas ao sistema. Precisamos discutir o papel dos gestores, porque a forma como uma liderança conduz uma equipe pode fazer uma enorme diferença na vida das pessoas.

Um bom gestor não precisa concordar com tudo o que sua equipe diz, assim como não precisa aceitar todos os pedidos. Liderar também significa tomar decisões difíceis. A diferença está na maneira como essas decisões são tomadas e comunicadas. É possível cobrar sem humilhar, corrigir sem destruir, orientar sem ameaçar e exigir responsabilidade sem retirar a dignidade do profissional.

A verdadeira liderança aparece principalmente nos momentos difíceis. Quando tudo está funcionando bem, é fácil administrar. O grande desafio surge quando existe um problema, quando a equipe está cansada, quando alguém precisa de ajuda ou quando uma determinação do sistema entra em conflito com a realidade da escola. É nesses momentos que descobrimos se estamos diante de um chefe preocupado apenas com resultados ou de um líder verdadeiramente comprometido com as pessoas.

Uma escola não pertence ao diretor. O diretor está gestor por determinado período, assim como outros profissionais ocupam suas funções. O cargo passa, mas a maneira como tratamos as pessoas deixa marcas. Um professor pode esquecer muitas reuniões e documentos ao longo dos anos, mas provavelmente jamais esquecerá o gestor que o respeitou, que acreditou nele e que esteve ao seu lado quando precisou.

Também não podemos esquecer que o gestor pode deixar marcas negativas. Palavras, atitudes, injustiças e decisões tomadas sem diálogo podem permanecer na memória de um profissional por muitos anos. Por isso, quem ocupa uma função de liderança precisa compreender que sua responsabilidade vai muito além de assinar documentos ou cumprir determinações. Ele está lidando diariamente com pessoas que possuem histórias, famílias, dificuldades, sonhos e limites.

Eu acredito que precisamos recuperar a humanidade dentro das nossas escolas. Precisamos construir ambientes onde o professor possa falar sem medo, onde os funcionários sejam respeitados, onde as dificuldades possam ser discutidas e onde a cobrança venha acompanhada de orientação e apoio. Precisamos compreender que uma equipe valorizada trabalha com mais disposição, participa mais e desenvolve um sentimento muito maior de compromisso com a instituição.

Depois de tantos anos na educação e depois de oito anos vivenciando a gestão escolar, tenho uma certeza: ninguém constrói uma escola sozinho. O diretor precisa da equipe, a equipe precisa do diretor, os professores precisam dos alunos e todos precisam das famílias e das políticas públicas adequadas. Quando cada um entende que possui uma responsabilidade dentro desse processo, a escola cresce. Quando um tenta se colocar acima dos outros, todos perdem.

Talvez eu esteja pagando hoje um preço por algumas escolhas que fiz no passado. Talvez defender pessoas, enfrentar situações e não escolher o caminho da conveniência tenha trazido consequências para minha própria trajetória. Mesmo assim, não me arrependo de ter defendido minha equipe. Eu poderia perder posições, reconhecimento ou oportunidades, mas não queria perder aquilo que considero mais importante: minha consciência.

A educação brasileira já enfrenta desafios enormes. Temos problemas estruturais, dificuldades de aprendizagem, desigualdades, falta de recursos, excesso de burocracia, violência, indisciplina e profissionais cada vez mais pressionados. Diante desse cenário, a última coisa que uma escola precisa é de uma liderança que aumente ainda mais o sofrimento daqueles que já estão cansados.

Precisamos de gestores que entendam que autoridade não é autoritarismo e que liderança não é poder sobre as pessoas. Liderar é assumir responsabilidade por pessoas. É saber ouvir, reconhecer erros, defender a equipe quando necessário, dialogar com o sistema e procurar soluções que respeitem a realidade de quem está diariamente dentro da escola.

Não podemos continuar fingindo que está tudo bem enquanto profissionais da educação adoecem em silêncio. Precisamos falar sobre isso com coragem, sem medo de reconhecer que parte do problema também pode estar dentro das próprias instituições. Se queremos uma educação melhor, precisamos começar cuidando daqueles que fazem a educação acontecer.

Depois de oito anos na gestão, eu aprendi que um gestor pode até deixar um cargo e seguir sua vida, mas aquilo que fez pelas pessoas permanece. Por isso, acredito que a pergunta mais importante que um gestor deve fazer ao final de sua trajetória não é quantos documentos assinou, quantas reuniões realizou ou quantas cobranças encaminhou. A pergunta deveria ser muito mais simples: “As pessoas que trabalharam comigo se sentiram respeitadas, ouvidas e protegidas?”

Porque, no final das contas, uma escola pode ter excelentes projetos, bons indicadores e muitos resultados, mas se estiver adoecendo as pessoas que nela trabalham, alguma coisa está profundamente errada.

domingo, 6 de setembro de 2026

 


7 DE SETEMBRO: MAIS DO QUE UMA DATA, UMA MEMÓRIA QUE ESTÁ SE PERDENDO

Por Professor Marcelo Braga

O dia 7 de Setembro sempre despertou em mim uma lembrança muito especial. Para a minha geração, a Independência do Brasil não era apenas uma data marcada no calendário ou um feriado. Era um momento vivido dentro e fora da escola, com ensaios, apresentações, desfiles, bandeiras, fanfarras e, principalmente, com o aprendizado dos nossos símbolos e da nossa história.

Quando lembro da minha infância e da minha juventude, lembro também do Colégio Francisquense. Recordo dos momentos em que aprendíamos e cantávamos os hinos. O professor Floriano tocava piano enquanto nós, alunos, acompanhávamos cantando. Talvez para muitos isso pareça algo simples ou pertencente a um passado distante, mas aquelas experiências contribuíram para nossa formação. Não estávamos apenas aprendendo uma música; estávamos conhecendo um pouco da história do nosso país e aprendendo a respeitar os símbolos que representam a nossa identidade nacional.

Hoje, quando observo a realidade de muitas escolas, não consigo deixar de fazer uma reflexão. São poucas as instituições que ainda mantêm momentos de homenagem cívica ao longo do ano. Em algumas escolas, o hasteamento da Bandeira Nacional e a execução dos hinos acontecem somente em datas comemorativas. Em outras, essas práticas praticamente desapareceram da rotina escolar. E o mais preocupante é perceber que existem alunos que chegam aos anos finais da escolarização sem conhecer adequadamente o Hino Nacional e outros símbolos importantes do nosso país.

Não estou defendendo que a escola volte simplesmente a repetir práticas do passado sem reflexão. A educação mudou, a sociedade mudou e os estudantes também mudaram. O que defendo é que não podemos confundir modernização da educação com abandono da nossa história. Ensinar cidadania também significa ensinar o estudante a conhecer o país onde vive, compreender sua história, respeitar seus símbolos e entender os direitos e deveres que fazem parte da vida em sociedade.

O civismo não deveria aparecer somente no dia 7 de Setembro. Ele deveria fazer parte da formação cotidiana dos nossos estudantes. Conhecer a Bandeira Nacional, compreender o significado das cores e dos símbolos, aprender os hinos, conhecer personagens e acontecimentos importantes da história brasileira e discutir o significado de cidadania são possibilidades educativas que podem contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes.

Também precisamos ter cuidado para não transformar o civismo em uma simples obrigação mecânica. Fazer os alunos ficarem em posição, cantar um hino sem compreender sua letra ou participar de um desfile apenas porque está no calendário não garante formação cidadã. O verdadeiro sentido está em explicar às crianças e aos jovens o significado daquilo que estão fazendo. Quando o aluno entende a história, ele deixa de apenas repetir e começa a compreender.

Talvez uma das maiores perdas dos últimos anos seja justamente essa relação entre memória, escola e comunidade. Os antigos desfiles reuniam estudantes, professores, famílias, bandas e diferentes instituições. As pessoas saíam às ruas para assistir, participar e prestigiar. Havia uma preparação que começava muito antes do desfile. Existia expectativa, envolvimento e sentimento de pertencimento.

Não precisamos dizer que tudo era melhor antigamente. O passado também tinha seus problemas e não deve ser romantizado. Porém, precisamos ter coragem para reconhecer que algumas tradições importantes foram abandonadas sem que colocássemos nada verdadeiramente significativo no lugar. Podemos modernizar nossas escolas, utilizar tecnologia, trabalhar novas metodologias e preparar nossos alunos para o futuro sem abrir mão da história, da cidadania e da memória.

O 7 de Setembro pode ser justamente uma oportunidade para essa reflexão. Mais do que organizar um desfile ou realizar uma cerimônia, podemos aproveitar a data para conversar com nossos estudantes sobre o Brasil, sua história, suas conquistas, seus problemas, sua democracia e o papel de cada cidadão na construção do país.

Quando penso na minha própria história, volto àquelas lembranças do Colégio Francisquense. Vejo novamente os alunos aprendendo os hinos, lembro do professor Floriano tocando piano e das nossas vozes cantando juntas. São lembranças de uma época que passou, mas que continua presente na memória. Talvez seja justamente essa a importância da educação: aquilo que aprendemos verdadeiramente pode permanecer conosco durante toda a vida.

Por isso, neste 7 de Setembro, mais do que perguntar se ainda devemos realizar desfiles, acredito que precisamos fazer uma pergunta muito maior: estamos ensinando nossas crianças e nossos jovens a conhecer, respeitar e valorizar a história do país onde vivem?

O civismo não precisa ser imposto. Ele pode ser ensinado por meio do conhecimento, da história, da música, da cultura, da participação e do exemplo. E talvez esteja na hora de recuperarmos esse espaço dentro das nossas escolas.

Porque um país que não ensina sua história corre o risco de formar gerações que conhecem muito sobre o mundo, mas pouco sobre suas próprias raízes.

E você, quais lembranças o 7 de Setembro traz para você? Você participou de desfiles? Aprendeu os hinos na escola? Lembra das fanfarras, das bandeiras, dos professores e daqueles momentos vividos na infância?

Conte sua lembrança nos comentários. Talvez a sua memória também faça parte da história de alguém.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

QUANDO O PROFESSOR ADOECE, A EDUCAÇÃO TAMBÉM ADOECE

Crônica — Professor Marcelo Braga

Você já parou para pensar que, neste exato momento, pode haver um professor sendo agredido verbalmente por uma mãe, por um pai ou até mesmo por um aluno? Já pensou que, enquanto a sociedade cobra resultados, notas, aprovação, desempenho e qualidade de ensino, existem profissionais entrando diariamente nas escolas carregando um cansaço físico e emocional que muitas vezes ninguém percebe?

A violência contra professores deixou de ser um assunto que pode ser tratado como exceção. Uma pesquisa do Instituto Semesp, com professores da educação básica, revelou que 52,3% dos entrevistados afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência no exercício da profissão. O dado é ainda mais preocupante quando se observa que 79,4% disseram já ter pensado em desistir da carreira docente.

Esses números deveriam provocar uma profunda reflexão em toda a sociedade. Não estamos falando apenas de profissionais insatisfeitos com o trabalho. Estamos falando de pessoas que escolheram uma profissão fundamental para o desenvolvimento de qualquer país e que, em muitos casos, estão chegando ao limite de suas forças. O professor precisa preparar aulas, corrigir atividades, avaliar estudantes, participar de reuniões, preencher documentos, lidar com conflitos, conversar com famílias e ainda encontrar energia para entrar em uma sala de aula no dia seguinte.

E existe uma contradição que precisa ser enfrentada. A sociedade diz que a educação é prioridade, mas muitas vezes trata o professor como se fosse uma peça substituível dentro de uma máquina. Quando ele adoece, procura-se outro. Quando se afasta, fala-se apenas na falta que ele fará. Quando reclama das condições de trabalho, muitas vezes é acusado de não ter vocação. Mas quase ninguém pergunta quanto tempo aquele profissional conseguiu permanecer de pé antes de pedir ajuda.

Também precisamos falar sobre as famílias. Pais e mães têm todo o direito de questionar uma escola, pedir explicações e defender seus filhos. Isso faz parte de uma relação democrática e saudável. O que não pode ser aceito é transformar uma divergência em ameaça, humilhação ou agressão. Quando um adulto entra na escola para intimidar um professor, não está ensinando seu filho a lutar pelos seus direitos; está ensinando que o conflito pode ser resolvido pela força.

Da mesma maneira, não podemos ignorar a violência praticada por estudantes. O aluno precisa ser acolhido, orientado e protegido, mas também precisa aprender que existem limites. Educação não significa ausência de regras. Uma escola que não consegue estabelecer limites também deixa de preparar o estudante para a vida em sociedade.

O problema é que muitos professores estão trabalhando no limite. A pressão não vem de um único lugar. Ela pode vir da indisciplina, das cobranças, do excesso de tarefas, da falta de estrutura, dos conflitos familiares que chegam à escola, das avaliações, da burocracia e da sensação permanente de que qualquer decisão pode gerar uma reclamação. Aos poucos, aquilo que deveria ser apenas uma jornada de trabalho transforma-se em uma carga emocional que acompanha o professor até sua casa.

E quando esse profissional começa a faltar, a situação não deveria ser analisada apenas como um problema administrativo. O afastamento de um professor pode ser o último capítulo de um processo que começou muito antes, quando os primeiros sinais de esgotamento foram ignorados.

Por isso, precisamos mudar a pergunta. Em vez de perguntar somente por que tantos professores estão se afastando, precisamos perguntar o que estamos fazendo para impedir que eles cheguem ao ponto de adoecer?

Não existe educação de qualidade sem profissionais respeitados. Não existe escola saudável quando professores trabalham com medo. Não existe aprendizagem consistente quando quem ensina está emocionalmente destruído. E não existe futuro para a educação se continuarmos perdendo bons professores porque não fomos capazes de cuidar deles.

Cuidar do professor não significa colocá-lo acima do aluno, nem transformar o educador em alguém que não pode ser questionado. Significa garantir condições para que ele possa exercer sua profissão com dignidade, segurança e respeito. Significa construir uma verdadeira parceria entre escola, família, estudantes, gestores e poder público.

A escola precisa voltar a ser um lugar onde o professor possa ensinar sem medo e onde o aluno possa aprender com responsabilidade. Discordâncias sempre existirão. Problemas sempre existirão. Mas agressão não pode fazer parte da rotina escolar.

Talvez esteja na hora de a sociedade olhar para dentro das escolas e compreender que, por trás de cada professor que se afasta, existe uma história. Existe uma trajetória. Existem noites mal dormidas, preocupações, frustrações, sonhos e, muitas vezes, anos dedicados à educação.

O professor não está pedindo privilégios. Está pedindo respeito.

E talvez a pergunta mais importante seja justamente esta: até quando vamos exigir que o professor cuide de todos, enquanto continuamos esquecendo de cuidar de quem está na linha de frente da educação?

Professor Marcelo Braga
Crônica — Educação, respeito e realidade escolar.

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

 


Uniforme, respeito e regras: a escola precisa ser levada a sério

A escola é um espaço de aprendizagem, convivência, respeito e formação. Por isso, existem regras que precisam ser conhecidas e cumpridas por todos: alunos, famílias, professores, gestores e funcionários.

Entre essas regras está a maneira adequada de se vestir para frequentar o ambiente escolar. Não se trata de controlar o corpo ou a liberdade de ninguém, mas de compreender que cada ambiente possui suas próprias normas e finalidades.

Nas aulas de Educação Física, essa questão merece ainda mais atenção. Shorts excessivamente curtos, roupas inadequadas para a prática esportiva, peças que dificultam os movimentos ou que não estão de acordo com as orientações da escola podem comprometer a aula, além de gerar situações desconfortáveis para o próprio estudante e para os demais.

É importante que os pais e responsáveis compreendam que a escola não é uma extensão da casa. Assim como existem roupas apropriadas para uma festa, para a praia, para um passeio ou para ficar em casa, também existem roupas mais adequadas para o ambiente escolar.

E essa orientação vale para meninos e meninas.

Não podemos transformar uma regra de convivência em uma guerra entre escola, família e alunos. O objetivo deve ser educar. Ensinar que liberdade também significa responsabilidade e que saber onde, quando e como se vestir faz parte da formação de qualquer pessoa.

As meninas, especialmente, precisam receber essa orientação sem constrangimento, humilhação ou exposição. Da mesma forma, os meninos também devem seguir as regras estabelecidas pela instituição. Não é uma questão de gênero; é uma questão de respeito às normas do ambiente escolar.

Os pais têm papel fundamental nesse processo. Antes de mandar o filho ou a filha para a escola, é importante verificar se a roupa está de acordo com o regimento e com as orientações da instituição. Quando a família respeita as regras, ela também ensina o estudante a respeitar autoridades, espaços coletivos e limites.

A escola também precisa fazer a sua parte: estabelecer regras claras, comunicá-las às famílias, orientar os estudantes e agir com equilíbrio quando houver descumprimento.

Educação não acontece apenas dentro dos livros.

Educação também é aprender limites, responsabilidade, respeito, postura e convivência.

A escola precisa ser um ambiente onde o estudante possa aprender com segurança e tranquilidade. E para isso, regras não podem existir apenas no papel. Precisam ser conhecidas, respeitadas e cumpridas.

No final, a pergunta é simples: se cada lugar tem sua finalidade, por que não podemos ensinar nossos filhos a se vestir de acordo com cada ambiente?

Respeitar a escola não significa perder a liberdade.
Significa aprender a usar a liberdade com responsabilidade.


quarta-feira, 1 de julho de 2026

 


A EDUCAÇÃO VAI MUITO ALÉM DA QUADRA: A SOLIDÃO DE QUEM CARREGA UMA EQUIPE NAS COSTAS

POR MARCELO BRAGA 


Participar da etapa estadual dos Jogos Escolares de Santa Catarina é o sonho de milhares de estudantes. Para muitos, é a oportunidade de vestir a camisa da escola, representar sua cidade e viver uma experiência que ficará para sempre na memória. Mas por trás das medalhas, dos troféus e dos resultados, existe uma realidade que pouca gente conhece.

Nesta semana, embarquei com dez meninos de 12 a 14 anos, da Escola Annes Gualberto, rumo a São Miguel do Oeste para disputar a etapa estadual dos Jogos Escolares de Santa Catarina no futsal.

Nossa viagem começou às 5h30 da manhã de segunda-feira. Foram aproximadamente quinze horas de estrada até chegarmos ao destino. Cansaço, ansiedade e expectativa misturavam-se em cada quilômetro percorrido.

Ao chegarmos, ainda havia o jantar, a organização dos materiais e o alojamento compartilhado com outras escolas. Centenas de adolescentes, meninos e meninas, dividindo o mesmo espaço, utilizando apenas dois chuveiros, poucos banheiros e dormindo no chão. Já estamos na terceira noite nessas condições.

Para quem observa de fora, pode parecer desconfortável. Para quem vive o esporte escolar, isso faz parte da missão.

Os meninos estão agitados. E como não estariam? São adolescentes vivendo uma experiência única, longe de casa, convivendo com jovens de todas as regiões de Santa Catarina, disputando diversas modalidades esportivas. A energia deles é enorme, e cabe ao professor transformar essa energia em disciplina, responsabilidade e aprendizado.

O que mais chama minha atenção, porém, é a diferença de estrutura entre as delegações.

Enquanto muitas escolas particulares chegam com dois ou até três profissionais acompanhando a equipe — treinador, auxiliar, preparador físico, coordenador —, em muitas escolas públicas a realidade é completamente diferente.

Estou sozinho.

E quando digo sozinho, é literalmente sozinho.

Sou o professor.

Sou o técnico.

Sou o preparador físico.

Sou o responsável pela alimentação.

Sou quem organiza os horários.

Sou quem resolve problemas.

Sou quem escuta quando bate a saudade de casa.

Sou quem orienta quando surgem conflitos.

Sou quem administra as emoções antes e depois dos jogos.

Sou, muitas vezes, médico improvisado diante de pequenos machucados.

Sou psicólogo quando a ansiedade aparece.

Sou pai quando é preciso aconselhar.

Sou mãe quando é preciso acolher.

E, acima de tudo, sou o responsável por trazer todos de volta em segurança.

A maior preocupação não é apenas vencer partidas.

É fazer com que tudo dê certo.

É garantir que nenhum aluno se machuque.

Que todos se alimentem.

Que todos descansem.

Que todos retornem para suas famílias exatamente como saíram.

Essa responsabilidade pesa.

E pesa muito.

Vivemos uma época em que muitos enxergam apenas o placar. Poucos conseguem enxergar tudo o que existe antes do apito inicial.

Também percebo algo que merece reflexão.

Em diversas delegações, principalmente de escolas particulares, o foco parece estar exclusivamente na vitória. A competição, em alguns momentos, assume um caráter de "tudo ou nada". É compreensível querer vencer. O esporte é competição.

Mas a escola nunca pode perder sua essência educativa.

Ganhar é importante.

Formar cidadãos é muito mais.

Ensinar respeito, disciplina, cooperação, amizade, humildade e superação continua sendo a maior vitória que um professor pode conquistar.

Chego à reta final da minha carreira profissional com a certeza de que ainda continuo aprendendo todos os dias.

Aprendo com meus acertos.

Aprendo, principalmente, com meus erros.

Cada viagem me transforma.

Cada aluno me ensina algo novo.

Cada competição reforça uma convicção que carrego há décadas: ser professor é muito maior do que ensinar conteúdos ou orientar treinamentos.

É assumir responsabilidades que nem sempre aparecem nas fotos, nos jornais ou nas redes sociais.

É cuidar de vidas.

É construir memórias.

É representar famílias que confiaram seus filhos às nossas mãos.

Talvez poucos entendam o que significa passar dias longe da própria família para cuidar da família dos outros.

Mas quem vive o magistério e o esporte escolar sabe.

No fim das contas, as medalhas envelhecem.

Os troféus ficam nas prateleiras.

Os resultados são esquecidos.

Mas o exemplo que deixamos na vida de um aluno permanece para sempre.

E essa, sem dúvida, continua sendo a maior conquista da minha carreira.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

 

JOGOS ESCOLARES DE SANTA CATARINA: ENTRE A FORMAÇÃO EDUCACIONAL E O EXCESSO DE COMPETITIVIDADE

POR MARCELO BRAGA 

Os Jogos Escolares de Santa Catarina, promovidos pela Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) em parceria com as secretarias municipais de esporte e educação, sempre tiveram um papel importante na integração dos estudantes através do esporte. O objetivo principal dos JESC deveria ser a formação humana, educacional e social dos alunos, valorizando a participação, a convivência e o desenvolvimento integral dos jovens.

Ao longo dos anos, porém, os Jogos Escolares acabaram se afastando de sua verdadeira essência. Hoje, infelizmente, vemos uma realidade muito diferente daquela que deveria existir dentro do ambiente escolar. O esporte educacional passou a ser tratado, em muitos casos, como esporte de rendimento e alto desempenho.

A própria Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) destaca que os Jogos Escolares são instrumentos de formação cidadã e integração social. Porém, na prática, muitos professores percebem que a competição exagerada vem tomando espaço da participação coletiva e do caráter pedagógico.

As categorias sub-14 e sub-17 vivem hoje uma realidade quase profissional. Escolas particulares oferecem bolsas para atletas, clubes utilizam competições escolares como vitrine e muitos estudantes já entram em quadra pressionados por resultados. Em modalidades como futebol de campo, futsal e voleibol, há atletas treinando como profissionais ainda dentro da educação básica.

Não se pode ignorar que o esporte de rendimento tem sua importância. Revelar talentos também faz parte do processo esportivo. O problema surge quando o aluno deixa de ser prioridade e o resultado passa a ser o centro de tudo.

Os professores de Educação Física precisam ser ouvidos pelas secretarias municipais de esporte e educação. Somos nós que estamos diariamente dentro das quadras, convivendo com os alunos, observando suas dificuldades, limitações emocionais, sociais e pedagógicas. Somos nós que conhecemos a realidade das escolas públicas e os desafios enfrentados no cotidiano escolar.

A Secretaria Municipal de Esportes de São Francisco do Sul precisa abrir espaço para ouvir os profissionais da área. Não é possível continuar organizando o esporte escolar sem diálogo com quem vive a realidade da escola diariamente.

A educação brasileira atravessa um momento extremamente difícil. Falta valorização profissional, estrutura adequada, investimento em materiais esportivos e melhores condições de trabalho para os professores. Mesmo assim, muitos profissionais continuam fazendo verdadeiros milagres para manter os alunos motivados e participando das atividades escolares.

Os Jogos Escolares deveriam ser uma extensão da sala de aula. O aluno deveria aprender sobre respeito, disciplina, convivência, superação e trabalho em equipe. O esporte escolar precisa ensinar cidadania antes de ensinar apenas a vencer.

Os regulamentos da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) mostram claramente que os JESC são promovidos em parceria com escolas, municípios e órgãos educacionais. Entretanto, muitas vezes, o discurso pedagógico fica apenas no papel.

Precisamos modernizar os Jogos Escolares e abandonar modelos ultrapassados. Não podemos mais aceitar competições que priorizam somente medalhas, troféus e rankings. O foco precisa voltar para a inclusão, participação e desenvolvimento humano.

É claro que cada escola e cada professor possui o direito de decidir se participa ou não das competições. Mas o objetivo principal não pode ser apenas vencer. O verdadeiro sentido dos Jogos Escolares deveria ser oportunizar experiências educativas através do esporte.

A própria Fesporte reconhece que o esporte escolar deve fortalecer o convívio social, o desenvolvimento humano e a integração entre educação e esporte. Porém, é necessário transformar essas palavras em ações concretas.

Muitos estudantes acabam ficando excluídos porque apenas os melhores atletas são valorizados. Enquanto isso, alunos que mais precisam do esporte como ferramenta de inclusão acabam esquecidos.

O esporte escolar precisa voltar a ser educacional. Precisa valorizar a participação de todos e não somente dos talentos esportivos. O aluno não pode ser tratado apenas como atleta. Ele é, antes de tudo, estudante e cidadão.

Os Jogos Escolares de Santa Catarina possuem uma história grandiosa e importante para o estado. A mobilização é enorme e envolve milhares de estudantes todos os anos. Contudo, chegou o momento de refletirmos profundamente sobre os rumos do esporte escolar catarinense.

Ouvir os professores é essencial. Valorizar quem está na escola diariamente é fundamental. O esporte escolar precisa voltar a cumprir sua missão original: formar cidadãos, promover inclusão e transformar vidas através da educação e do esporte.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

 


A EDUCAÇÃO FÍSICA EXIGE RESPONSABILIDADE, FISCALIZAÇÃO E RESPEITO À LEI


POR MARCELO BRAGA

A Educação Física brasileira avançou muito nas últimas décadas. Hoje contamos com o Conselho Federal de Educação Física e com Conselhos Regionais em praticamente todos os estados do país, responsáveis pela orientação, regulamentação e fiscalização da profissão. Isso representa uma grande conquista para os profissionais habilitados e para toda a sociedade.

Porém, infelizmente, ainda convivemos com uma realidade preocupante: muitas escolinhas esportivas, academias, projetos comunitários, treinos funcionais, artes marciais e atividades físicas continuam funcionando sem a presença de um profissional devidamente habilitado. Em muitos bairros existem pessoas abnegadas, apaixonadas pelo esporte, que dedicam seu tempo para ensinar crianças e jovens. Sabemos que muitas delas possuem boas intenções e exercem importante papel social dentro das comunidades.

Mas é preciso compreender que boa vontade não substitui formação profissional. A legislação brasileira existe para proteger a sociedade. Quando uma profissão é regulamentada, ela exige responsabilidade técnica, qualificação e conhecimento científico. Desenvolver atividades físicas, orientar treinamentos e trabalhar diretamente com o corpo humano sem habilitação pode configurar exercício ilegal da profissão.

Sempre defendi junto a gestores da Secretaria de Esportes de São Francisco do Sul a necessidade de reunir esses voluntários, treinadores comunitários e responsáveis por escolinhas esportivas para buscar caminhos legais, orientação técnica e apoio institucional. Isso não envolve apenas o futsal e o futebol, mas também outras modalidades esportivas, academias, projetos recreativos e principalmente as artes marciais.

A Secretaria de Esportes poderia criar programas de capacitação, cadastramento e acompanhamento dessas pessoas que atuam nos bairros. O esporte é ferramenta de inclusão social, disciplina e cidadania, mas precisa caminhar junto com a legalidade, a segurança e a fiscalização.

Outro ponto extremamente grave é a falta de fiscalização em algumas atividades desenvolvidas com crianças e adolescentes. Casos envolvendo abusos, violência e até pedofilia têm sido constantemente divulgados nas redes sociais e nos meios de comunicação. Isso exige atenção máxima das autoridades, dos pais e também dos órgãos responsáveis pela fiscalização profissional.

Academias, escolinhas, projetos esportivos, artes marciais e até algumas instituições escolares precisam ser fiscalizados de forma séria e permanente. Pais devem procurar saber quem são os responsáveis pelas atividades, se possuem formação adequada, registro profissional e condições seguras para trabalhar com crianças e adolescentes.

Não podemos permitir que atividades tão importantes para a saúde e formação humana sejam conduzidas sem responsabilidade. Valorizar o profissional de Educação Física não significa atacar voluntários ou pessoas apaixonadas pelo esporte. Significa defender qualidade, ética, segurança e respeito às leis que regulamentam a profissão.

Se existe Conselho Regional, que a fiscalização aconteça. Se existe legislação, que ela seja cumprida. O esporte transforma vidas, mas somente quando desenvolvido com responsabilidade, competência e compromisso verdadeiro com nossas crianças e jovens.

terça-feira, 5 de maio de 2026

 

“33 ANOS FORMANDO VIDAS: ENTRE VITÓRIAS, DESAFIOS E A CERTEZA DO DEVER CUMPRIDO”

POR MARCELO BRAGA 

Ao longo de 33 anos dedicados à educação e ao esporte, construí uma trajetória marcada por histórias, aprendizados e, acima de tudo, pessoas.
Foram anos de quadra, campo, sala de aula e também de gestão escolar, sempre com o mesmo propósito: contribuir para a formação de cidadãos.
Não foram apenas aulas ou treinos, foram encontros que deixaram marcas profundas em mim e, acredito, também em muitos alunos.

Pelas minhas mãos passaram centenas, talvez milhares de jovens, cada um com sua história, seus sonhos e suas dificuldades.
Muitos deles hoje são adultos, pais, mães, trabalhadores que seguem suas vidas com dignidade e responsabilidade.
É gratificante encontrá-los pelas ruas, no comércio, em repartições públicas ou empresas privadas.
Alguns param, me cumprimentam e dizem: “Professor, aprendi muito com o senhor”.
Esses momentos não têm preço.

Saber que, de alguma forma, contribuí para o crescimento dessas pessoas é uma das maiores recompensas que um educador pode receber.
O esporte e a educação têm esse poder transformador: ensinam disciplina, respeito, superação e valores para a vida inteira.
E foi isso que sempre busquei transmitir, dentro e fora da escola.

Claro, nem todos os caminhos foram como gostaríamos.
Infelizmente, alguns poucos ex-alunos seguiram por direções difíceis.
Já encontrei jovens envolvidos com drogas, outros enfrentando problemas com a justiça, e alguns que, com tristeza, já não estão mais entre nós.
São momentos que nos fazem refletir profundamente.

Como educador, sempre fiz o meu melhor.
Ensinei, aconselhei, dialoguei, estive presente.
Mas a vida é feita de escolhas, e cada um trilha o seu próprio caminho.
Carrego comigo a consciência tranquila de que cumpri meu papel com dedicação e responsabilidade.

Ser professor vai muito além de ensinar conteúdos.
É orientar, é acolher, é acreditar no potencial de cada aluno, mesmo quando ele próprio não acredita.
É plantar sementes, muitas vezes sem saber quando ou como irão florescer.

Hoje, olhando para trás, vejo uma caminhada de muito esforço, mas também de inúmeras conquistas.
Cada aluno que venceu na vida representa uma vitória compartilhada.
Cada história de superação reforça a importância do nosso trabalho.

Sigo firme, com a mesma paixão de sempre, acreditando na educação e no esporte como ferramentas de transformação social.
Porque formar pessoas é, sem dúvida, a missão mais nobre que alguém pode assumir.

E, ao final de tudo, fica a maior certeza:
valeu a pena cada dia, cada aula, cada esforço.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

 

CRÍTICA COM RESPONSABILIDADE, ELOGIO COM CORAGEM: MINHA POSTURA NA VIDA PÚBLICA

POR MARCELO BRAGA 


Vivemos tempos em que a palavra tem sido usada, muitas vezes, como arma e não como instrumento de construção. Por isso, faço questão de deixar clara a minha posição diante das críticas e dos elogios que manifesto. Minha atuação pública é guiada pelo respeito, pela responsabilidade e pelo compromisso com a verdade. Não utilizo minhas palavras para atacar pessoas, nem para denegrir a imagem de quem quer que seja. Quando faço críticas, elas são direcionadas a ações, decisões e resultados — nunca a ataques pessoais.

Entendo que criticar é necessário, mas criticar com responsabilidade é essencial.
E mais importante ainda: toda crítica que faço vem acompanhada de sugestões.
Apontar erros sem indicar caminhos não contribui para o crescimento de ninguém.
Meu objetivo sempre foi colaborar, somar e ajudar a construir soluções para a nossa comunidade.

Da mesma forma, quando reconheço algo positivo, faço isso com sinceridade e justiça.
Não importa se a ação vem da situação ou da oposição ao governo atual.
O que é correto precisa ser reconhecido, valorizado e divulgado.
E nesses casos, faço questão de citar nomes, pois o mérito deve ser reconhecido.
Afinal, quem de nós não gosta de ser elogiado quando faz o que é certo?
Valorizar boas atitudes é incentivar que elas continuem acontecendo.

Sou suplente de vereador e tenho plena consciência dos meus direitos e deveres.
Minha conduta é baseada na ética, na transparência e na responsabilidade com a população.
Minha integridade, minha idoneidade e minha imparcialidade não estão à venda.
Não negocio meus princípios e não os troco por interesses ou conveniências.
Tenho uma trajetória construída com esforço, trabalho e compromisso com as pessoas.

Reconheço também que, como todo ser humano, já cometi erros.
Tenho consciência disso e não fujo das minhas responsabilidades.
Sempre fui muito autocrítico comigo mesmo e continuo sendo.
Quando erro, faço questão de assumir, corrigir e aprender.
Errar faz parte da caminhada, mas persistir no erro é uma escolha — e essa eu não faço.

A vida pública exige coragem, equilíbrio e maturidade.
Exige saber ouvir, reconhecer falhas e também valorizar acertos.
E é exatamente dessa forma que procuro agir no meu dia a dia.
Sem radicalismos, sem perseguições, sem injustiças.

Se um dia tiver a oportunidade de assumir uma cadeira na Câmara de Vereadores,
podem ter certeza de que essa será a minha postura.
Continuarei fazendo críticas responsáveis, apresentando sugestões e reconhecendo o que é correto.
Sempre com respeito, seriedade e compromisso com a verdade.

A política precisa de mais equilíbrio e menos ataques.
Precisa de mais responsabilidade e menos vaidade.
E é com esse pensamento que sigo firme na minha caminhada.

domingo, 3 de maio de 2026

 




PRINCÍPIOS NÃO SE NEGOCIAM: “POLÍTICA SEM VALORES NÃO ME REPRESENTA”

Ser vereador não é ocupar uma cadeira, é assumir uma responsabilidade diante de toda a população.
Representar o povo exige preparo, caráter e compromisso verdadeiro com a comunidade.
Não basta falar bonito em campanha, é preciso agir com coerência todos os dias.
O vereador precisa ser exemplo dentro e fora da Câmara.
Exemplo de conduta, de respeito, de ética e de responsabilidade.

A política não pode ser um espaço de interesses pessoais.
Ela deve ser instrumento de transformação social.
Quem ocupa um cargo público precisa entender que está ali para servir.
Servir com transparência, com coragem e com honestidade.

Faço parte de um partido que defende a família, os princípios e os valores.
Um partido que acredita na força de uma economia liberal.
Que valoriza o trabalho, a liberdade e o desenvolvimento.
E para defender tudo isso, não basta discurso: é preciso postura.

Não posso defender valores se não os pratico.
Não posso cobrar ética se não sou ético.
Não posso falar em família se não a respeito.
Não posso falar em liberdade se ajo por interesse próprio.

Hoje, muitos cidadãos se sentem sem representação.
Sentem que suas vozes não ecoam dentro da Câmara.
E isso é reflexo de uma política distante da realidade do povo.

Eu não tenho quem me represente.
E por isso, não posso me calar diante dessa situação.
Mas também não vou me aliar a quem não compartilha dos mesmos princípios.
Não posso caminhar ao lado de quem não inspira confiança.
Nem de quem age de forma incoerente dentro ou fora da política.

Minhas convicções não estão à venda.
Meus valores não são moeda de troca.
Meus princípios não se negociam com ninguém, seja quem for.

A política precisa de homens e mulheres firmes.
Pessoas que tenham coragem de dizer não quando for preciso.
Que não se curvem a interesses que prejudiquem a população.

Ser vereador é ser a voz do povo.
Mas, acima de tudo, é ser exemplo para a sociedade.

E enquanto houver espaço para a verdade,
haverá também quem lute por uma política mais justa,
mais transparente e mais comprometida com o bem comum.


sexta-feira, 1 de maio de 2026

 



Educação Não é Palanque: A Verdade Sobre a Tentativa de Militarização da Escola Annes Gualberto

ARTIGO: POR MARCELO BRAGA
A educação precisa ser tratada com seriedade, responsabilidade e, acima de tudo, respeito à comunidade escolar. Nos últimos dias, tem chamado atenção a tentativa de transformar a Escola Estadual Annes Gualberto em uma escola cívico-militar — não pelo modelo em si, que pode ser discutido com maturidade —, mas pela forma como esse processo vem sendo conduzido.
Sempre fui favorável ao debate sobre escolas cívico-militares. Trata-se de um modelo que pode trazer benefícios quando bem estruturado, com transparência, participação e, principalmente, conhecimento por parte de todos os envolvidos. No entanto, o que estamos presenciando não é um debate saudável, mas sim um movimento que aparenta ser orquestrado politicamente, sem o devido diálogo com quem realmente vive a escola no dia a dia.
É importante destacar que esse movimento levanta ainda mais preocupações quando se observa a aproximação repentina de um agente político ( VEREADOR ) junto à gestão escolar. O que deveria ser uma relação institucional transparente e voltada ao interesse público, passa a gerar questionamentos quando há sinais de tentativa de influência por meio de aproximações estratégicas e possíveis benefícios indiretos.
A escola não pode, em hipótese alguma, ser alvo de interesses pessoais ou políticos. A gestão escolar precisa ser autônoma, respeitada e comprometida exclusivamente com a educação e com a comunidade que atende. Qualquer tentativa de interferência que desvirtue esse propósito deve ser vista com atenção e responsabilidade.
Reforço que decisões sobre o futuro da escola devem ser construídas com base no diálogo coletivo, na ética e na transparência, jamais sob qualquer tipo de influência externa que comprometa a credibilidade da instituição.
É fundamental que a comunidade escolar compreenda, de forma clara e responsável, o que é uma escola cívico-militar. Professores precisam conhecer o projeto, entender suas implicações pedagógicas e administrativas. Alunos e pais também devem ser ouvidos, esclarecidos e respeitados. Qualquer mudança dessa magnitude exige estudo, diálogo e, principalmente, uma consulta democrática à comunidade.
Sem esse processo, qualquer tentativa de implantação se torna precipitada e, pior ainda, desrespeitosa. Não se constrói educação de qualidade com imposições ou movimentos apressados. Constrói-se com escuta, planejamento e compromisso verdadeiro com o futuro dos alunos.
Diante disso, manifesto minha posição contrária a essa forma de condução. Não se trata de ser contra ou a favor do modelo, mas de defender que decisões educacionais devem ser tomadas com responsabilidade, transparência e participação coletiva.
Nesse sentido, reconheço a importância da presença do sindicato dos professores (SINTE), que esteve na escola buscando garantir o debate e o direito à informação. Esse é o caminho: diálogo aberto, respeito às opiniões e construção conjunta.
Fica aqui o meu alerta aos pais, professores e toda a comunidade: é preciso estar atento. A educação dos nossos filhos não pode ser decidida sem que todos compreendam, participem e tenham voz ativa no processo.
Educação não é improviso. Educação não é palanque. Educação é compromisso com o futuro.


  2026: ELEIÇÃO PARA DEPUTADO OU CONSTRUÇÃO PARA 2028? O eleitor merece propostas claras e transparência sobre os projetos políticos em cons...