sexta-feira, 1 de maio de 2026

 



Educação Não é Palanque: A Verdade Sobre a Tentativa de Militarização da Escola Annes Gualberto

ARTIGO: POR MARCELO BRAGA
A educação precisa ser tratada com seriedade, responsabilidade e, acima de tudo, respeito à comunidade escolar. Nos últimos dias, tem chamado atenção a tentativa de transformar a Escola Estadual Annes Gualberto em uma escola cívico-militar — não pelo modelo em si, que pode ser discutido com maturidade —, mas pela forma como esse processo vem sendo conduzido.
Sempre fui favorável ao debate sobre escolas cívico-militares. Trata-se de um modelo que pode trazer benefícios quando bem estruturado, com transparência, participação e, principalmente, conhecimento por parte de todos os envolvidos. No entanto, o que estamos presenciando não é um debate saudável, mas sim um movimento que aparenta ser orquestrado politicamente, sem o devido diálogo com quem realmente vive a escola no dia a dia.
É importante destacar que esse movimento levanta ainda mais preocupações quando se observa a aproximação repentina de um agente político ( VEREADOR ) junto à gestão escolar. O que deveria ser uma relação institucional transparente e voltada ao interesse público, passa a gerar questionamentos quando há sinais de tentativa de influência por meio de aproximações estratégicas e possíveis benefícios indiretos.
A escola não pode, em hipótese alguma, ser alvo de interesses pessoais ou políticos. A gestão escolar precisa ser autônoma, respeitada e comprometida exclusivamente com a educação e com a comunidade que atende. Qualquer tentativa de interferência que desvirtue esse propósito deve ser vista com atenção e responsabilidade.
Reforço que decisões sobre o futuro da escola devem ser construídas com base no diálogo coletivo, na ética e na transparência, jamais sob qualquer tipo de influência externa que comprometa a credibilidade da instituição.
É fundamental que a comunidade escolar compreenda, de forma clara e responsável, o que é uma escola cívico-militar. Professores precisam conhecer o projeto, entender suas implicações pedagógicas e administrativas. Alunos e pais também devem ser ouvidos, esclarecidos e respeitados. Qualquer mudança dessa magnitude exige estudo, diálogo e, principalmente, uma consulta democrática à comunidade.
Sem esse processo, qualquer tentativa de implantação se torna precipitada e, pior ainda, desrespeitosa. Não se constrói educação de qualidade com imposições ou movimentos apressados. Constrói-se com escuta, planejamento e compromisso verdadeiro com o futuro dos alunos.
Diante disso, manifesto minha posição contrária a essa forma de condução. Não se trata de ser contra ou a favor do modelo, mas de defender que decisões educacionais devem ser tomadas com responsabilidade, transparência e participação coletiva.
Nesse sentido, reconheço a importância da presença do sindicato dos professores (SINTE), que esteve na escola buscando garantir o debate e o direito à informação. Esse é o caminho: diálogo aberto, respeito às opiniões e construção conjunta.
Fica aqui o meu alerta aos pais, professores e toda a comunidade: é preciso estar atento. A educação dos nossos filhos não pode ser decidida sem que todos compreendam, participem e tenham voz ativa no processo.
Educação não é improviso. Educação não é palanque. Educação é compromisso com o futuro.


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