segunda-feira, 13 de abril de 2026

 


“QUANDO O ESPORTE VIRA CAMPO DE GUERRA: A VIOLÊNCIA QUE ESTÁ DESTRUINDO NOSSAS CRIANÇAS”

O que era para ser um espaço de formação, disciplina e sonhos está se transformando, cada vez mais, em um cenário de medo, agressão e revolta. O esporte de base — especialmente no futsal e no futebol — vive uma crise silenciosa, mas extremamente perigosa. 

Casos recentes acendem um alerta urgente. Em uma partida de categoria sub-9, algo inimaginável aconteceu: disparos de arma de fogo interromperam o jogo. Crianças, que deveriam estar apenas brincando e aprendendo, se viram diante de uma cena digna de violência urbana.

Em outro episódio, na categoria sub-13, um jovem atleta precisou sair de ambulância após uma entrada violenta de um adversário. Não foi apenas uma falta dura — foi um retrato claro de como o respeito está sendo substituído pela agressividade descontrolada.

E os relatos não param. Em competições escolares em Guaratuba, episódios de agressões físicas e discussões generalizadas também foram registrados recentemente, mostrando que o problema não está isolado, mas se espalhando de forma preocupante.

Dados de organizações esportivas e educacionais indicam que a violência no esporte de base tem aumentado nos últimos anos. Estima-se que mais de 30% das competições amadoras já registraram algum tipo de agressão física ou verbal. Em muitos casos, os conflitos envolvem não apenas atletas, mas também pais e torcedores.

E aqui surge uma pergunta inevitável: que exemplo estamos dando para nossas crianças?

O esporte, que sempre foi visto como ferramenta de inclusão social, disciplina e formação de caráter, hoje muitas vezes reproduz o pior da sociedade. A violência que deveria ser combatida fora dos campos agora invade quadras e estádios.

Grande parte dessa realidade está ligada ao comportamento dos adultos. Pais que incentivam a rivalidade extrema, que gritam, ofendem árbitros e adversários, que cobram desempenho como se estivessem formando profissionais — esquecendo que ali estão crianças.

Mais grave ainda são aqueles que silenciam ou até apoiam atitudes agressivas dos filhos, tratando como “coisa do jogo”. Não é. Nunca foi. Outro fator preocupante é a influência de atletas "profissionais". Crianças e jovens assistem diariamente a cenas de desrespeito, brigas e discussões em jogos televisionados. Quando esses comportamentos não são punidos de forma exemplar, acabam sendo naturalizados.

O resultado é uma geração que cresce acreditando que vencer vale mais do que respeitar. Que competir é sinônimo de humilhar. Que força é mais importante do que caráter.

Enquanto isso, professores, treinadores e organizadores tentam, muitas vezes sozinhos, conter uma realidade que foge do controle. Falta apoio, falta conscientização e, principalmente, falta responsabilidade familiar.

Até quando vamos aceitar isso? Até quando vamos permitir que crianças entrem em quadras com medo, em vez de alegria?  O esporte precisa voltar a ser o que sempre foi: um caminho de formação, não de deformação. É urgente resgatar valores como respeito, disciplina, empatia e fair play. E isso começa dentro de casa.

Pais precisam entender que estão formando cidadãos, não apenas atletas. Precisam ensinar que perder faz parte, que errar é humano e que agredir é inaceitável. Se nada for feito, continuaremos assistindo cenas lamentáveis — e cada vez mais graves. 

O apito inicial não pode mais dar início à violência. Ele precisa marcar o começo de uma mudança.

MARCELO BRAGA


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