DROGAS: A LIBERDADE DE UNS NÃO PODE SIGNIFICAR A DESTRUIÇÃO DE TODOS
Por Marcelo Roberto Vieira Braga
Eu sou contra as drogas.
E não abro mão dessa posição. Não por ideologia, mas por convicção, por experiência e, acima de tudo, por compromisso com a vida.
Vivemos um momento perigoso, em que se tenta normalizar o uso de drogas, inclusive em locais públicos. Isso precisa ser enfrentado com coragem. Não podemos aceitar que espaços que são de todos — famílias, crianças, trabalhadores — sejam tomados por práticas que destroem vidas.
Em Santa Catarina, temos leis que garantem o direito do cidadão. O uso de drogas em locais públicos pode e deve ser denunciado. Acionar a polícia não é exagero. É exercer cidadania.
Porque liberdade sem responsabilidade não é liberdade. É desordem.
Os números são claros e assustadores. O consumo de drogas no Brasil cresceu de forma significativa nos últimos anos. Milhões de brasileiros já tiveram contato com substâncias ilícitas, e esse número não para de aumentar. Isso mostra que o problema está longe de ser controlado — pelo contrário, está avançando.
Mas para mim, essa realidade não está apenas nos dados. Ela tem rosto, tem nome, tem história.
Ao longo da minha trajetória como professor e diretor escolar, eu vi de perto o impacto das drogas. Eu encontrei ex-alunos que se perderam nesse caminho. Alguns estão presos. Outros destruíram suas famílias. E infelizmente, alguns já não estão mais entre nós.
Isso não é discurso. Isso é realidade.
Dentro da escola, a situação também mudou — e muito. Hoje, além das drogas tradicionais, enfrentamos novas ameaças, como os cigarros eletrônicos. Muitos jovens acreditam que são inofensivos, mas não são. Já precisei repreender alunos dentro do ambiente escolar por estarem utilizando esses dispositivos.
E não é só isso.
Outra praga silenciosa tem invadido as escolas: o consumo excessivo de bebidas energéticas por crianças e adolescentes. Substâncias estimulantes, vendidas livremente, mas que impactam diretamente a saúde, o comportamento e até o rendimento escolar.
Estamos criando uma geração estimulada, ansiosa e cada vez mais vulnerável.
E eu nunca fui omisso diante disso.
Já fui ameaçado dentro de escola por cumprir o meu papel. Já enfrentei situações difíceis, tensas, desconfortáveis. Mas nunca me intimidei.
Porque educar também é impor limites.
Porque proteger também é dizer “não”.
Porque ser diretor não é agradar — é liderar com responsabilidade.
TRÁFICO: O VERDADEIRO CÂNCER SOCIAL
Não existe consumo sem tráfico.
E o tráfico:
- financia o crime organizado
- alimenta a violência
- destrói comunidades inteiras
Quem relativiza o uso, indiretamente fortalece essa cadeia.
Jamais permiti drogas dentro da escola. Jamais fechei os olhos para situações erradas. E nunca vou permitir.
Porque quando a escola se omite, ela deixa de educar.
E quando a sociedade se cala, o problema cresce.
Não podemos aceitar o uso de drogas como algo normal, muito menos em locais públicos. Isso gera insegurança, degradação e fortalece o tráfico, que é um dos maiores responsáveis pela violência no nosso país.
Não existe consumo inocente quando existe um sistema criminoso por trás.
Por isso, minha posição é clara e inegociável:
sou contra as drogas, sou contra sua banalização e sou contra qualquer tentativa de transformar esse problema em algo aceitável.
Defender a vida precisa voltar a ser prioridade.
Precisamos de mais ação, mais fiscalização, mais educação e mais coragem para enfrentar esse problema de frente.
Porque cada jovem perdido é uma derrota coletiva.
E eu não aceito isso como normal.

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