Esporte em São Francisco do Sul: da CME à SME — evolução institucional ou mudança de siglas?
O esporte francisquense carrega uma história marcada por esforço, voluntariado e paixão comunitária. No entanto, quando analisamos a estrutura administrativa ao longo das últimas décadas, percebemos que as mudanças institucionais nem sempre foram acompanhadas de planejamento técnico e continuidade de políticas públicas.
Nas décadas de 80 e 90, o esporte era conduzido pela CME – Comissão Municipal de Esportes. Era um modelo mais simples, muitas vezes dependente da boa vontade de dirigentes e apoiadores locais. Havia limitações estruturais, mas existia proximidade com as comunidades e com as lideranças esportivas.
A partir dos anos 2000, tentou-se modernizar o sistema com a criação da FME – Fundação Municipal de Esportes, modelo comum em diversas prefeituras brasileiras. No papel, parecia um avanço administrativo. Contudo, em São Francisco do Sul, a fundação não possuía dotação orçamentária própria nem autonomia financeira efetiva — sequer tinha estrutura independente com CNPJ ativo que garantisse gestão administrativa plena. Na prática, tornou-se uma mudança nominal sem a sustentação técnica e orçamentária necessária para produzir resultados duradouros.
Hoje vivemos a fase da SME – Secretaria Municipal de Esportes. A transformação em secretaria poderia representar consolidação institucional, maior força política e capacidade de planejamento estratégico. Porém, o que se observa é a ausência de uma estrutura técnica sólida capaz de garantir continuidade, metas claras e avaliação de desempenho nas mais diversas modalidades.
A importância da qualificação técnica
Cargos estratégicos, como o de Diretor Técnico, deveriam ser ocupados por profissionais com formação específica — preferencialmente professores de Educação Física, com conhecimento em gestão esportiva, planejamento de competições, formação de base e políticas públicas. O esporte moderno exige metodologia, indicadores, captação de recursos, integração com escolas e projetos sociais.
Sem uma equipe técnica estruturada:
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Projetos começam e não têm continuidade;
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Modalidades são priorizadas por conveniência política e não por planejamento;
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Falta calendário fixo e metas de médio e longo prazo;
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Perde-se a oportunidade de formar atletas e cidadãos.
Gestão desportiva e interferência política
É inegável que a gestão do esporte municipal mudou muito ao longo dos anos, muitas vezes por questões políticas. Cada troca de governo traz novas diretrizes, interrompe programas e altera prioridades. O resultado é a descontinuidade — um dos maiores inimigos da política pública eficiente.
O esporte não pode ser tratado como ação de governo; precisa ser política de Estado municipal, com planejamento plurianual, metas claras e participação social.
Onde está o Conselho Municipal de Esportes?
Outro ponto fundamental é o papel do Conselho Municipal de Esportes. Ele deveria ser ativo, deliberativo e fiscalizador. Deveria reunir representantes de clubes, associações, professores, atletas e comunidade. No entanto, muitos sequer sabem se ele está ativo ou funcionando regularmente.
Um conselho atuante poderia:
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Debater prioridades;
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Acompanhar orçamento;
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Propor editais e programas;
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Fiscalizar a aplicação de recursos;
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Garantir transparência e continuidade.
Escutar os segmentos esportivos
A atual gestão tem a oportunidade de construir um novo momento. Para isso, é essencial ouvir os diversos segmentos: futebol amador, futsal, futebol feminino, modalidades individuais, esporte escolar, projetos sociais, veteranos e categorias de base.
Não se constrói política esportiva apenas de gabinete. Constrói-se com diálogo, planejamento e técnica.
Conclusão
Não há mais espaço para amadorismo administrativo.Não há mais espaço para decisões técnicas baseadas apenas em conveniência política.
E merece uma administração à altura da sua importância.
O esporte cresceu. Cresceu em número de praticantes, em diversidade de modalidades, em impacto social e em importância na vida das famílias. Hoje ele não é apenas lazer — é saúde pública, é prevenção, é formação de caráter, é inclusão social, é oportunidade para crianças e jovens que encontram na quadra, no campo, na piscina ou na água do remo um caminho longe das drogas, da violência e da ociosidade.
O esporte de hoje é mais complexo, mais profissional e mais estratégico. Ele movimenta economia, fortalece identidade comunitária e projeta o nome de São Francisco do Sul além de suas fronteiras. Não estamos mais nos anos 80, quando bastava boa vontade. A realidade mudou — e exige preparo.
Não há mais espaço para improviso.
Gestão esportiva exige competência, planejamento, formação técnica, metas claras e responsabilidade com o dinheiro público. Exige profissionais qualificados, diálogo com os segmentos esportivos e continuidade de projetos. Exige visão de futuro.
Se o esporte evoluiu — a gestão precisa evoluir junto.
Porque quando o esporte é tratado com seriedade, toda a cidade cresce. Quando é negligenciado, perde-se muito mais do que campeonatos: perde-se saúde, perde-se cidadania, perde-se futuro.
O momento pede maturidade institucional. Pede compromisso. Pede gestão séria e competente.
O esporte francisquense é grande.
MARCELO BRAGA
O esporte cresceu. Cresceu em número de praticantes, em diversidade de modalidades, em impacto social e em importância na vida das famílias. Hoje ele não é apenas lazer — é saúde pública, é prevenção, é formação de caráter, é inclusão social, é oportunidade para crianças e jovens que encontram na quadra, no campo, na piscina ou na água do remo um caminho longe das drogas, da violência e da ociosidade.
O esporte de hoje é mais complexo, mais profissional e mais estratégico. Ele movimenta economia, fortalece identidade comunitária e projeta o nome de São Francisco do Sul além de suas fronteiras. Não estamos mais nos anos 80, quando bastava boa vontade. A realidade mudou — e exige preparo.
Não há mais espaço para improviso.
Gestão esportiva exige competência, planejamento, formação técnica, metas claras e responsabilidade com o dinheiro público. Exige profissionais qualificados, diálogo com os segmentos esportivos e continuidade de projetos. Exige visão de futuro.
Se o esporte evoluiu — a gestão precisa evoluir junto.
Porque quando o esporte é tratado com seriedade, toda a cidade cresce. Quando é negligenciado, perde-se muito mais do que campeonatos: perde-se saúde, perde-se cidadania, perde-se futuro.
O momento pede maturidade institucional. Pede compromisso. Pede gestão séria e competente.
O esporte francisquense é grande.
MARCELO BRAGA

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