segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 

ARTIGO : 20/02/2026 ESCOLA EM COLAPSO MORAL? ENTRE A OMISSÃO FAMILIAR E A GERAÇÃO SEM PROPÓSITO

Iniciamos mais um ano letivo. Portões abertos, salas organizadas, planejamentos prontos. Mas o que se vê por trás da rotina aparente é um cenário inquietante.
Alunos desinteressados, dispersos, conectados a tudo — menos ao conhecimento. Pais cada vez mais distantes do processo educativo. E professores sobrecarregados, cobrados, pressionados, responsabilizados por tudo. A escola continua sendo chamada de “formadora de cidadãos”. 
Mas como formar quando a base vem fragilizada?
Como ensinar disciplina a quem nunca ouviu “não”? Como exigir compromisso de quem nunca teve exemplo de responsabilidade? Vivemos uma geração que muitas vezes não sabe por que está na escola. Não há projeto, não há propósito, não há horizonte.
Há apenas a obrigação de cumprir presença. A escola virou depósito de expectativas frustradas. E o professor, o alvo preferido das cobranças. Quando o aluno fracassa, a culpa é da escola. Quando não aprende, a metodologia é questionada. Quando é indisciplinado, a autoridade do professor é atacada. Raramente se pergunta: onde está a família? Onde estão os limites? Onde estão os valores? Educar nunca foi tarefa exclusiva da escola. A formação começa em casa. Respeito, ética, responsabilidade e compromisso não se aprendem apenas no quadro branco. 
Aprendem-se no exemplo diário. Na palavra cumprida. Na presença ativa dos pais. Entretanto, o que vemos é a terceirização da responsabilidade. Pais que delegam tudo à instituição. Que defendem os filhos automaticamente, mesmo quando estão errados. Que confundem amor com permissividade. Que veem a escola como prestadora de serviço, não como parceira formadora. O resultado é visível. Salas desmotivadas. Professores emocionalmente exaustos. Gestões tentando equilibrar diálogo e autoridade. E uma aprendizagem cada vez mais superficial. Não se trata de romantizar o passado. Trata-se de reconhecer que há uma crise de sentido. Uma geração hiper conectada, mas desconectada do esforço.

 busca resultados imediatos, mas rejeita processos. Que quer direitos, mas resiste a deveres. A escola não pode ser bode expiatório de falhas estruturais da sociedade.
Ela precisa ser fortalecida, não deslegitimada. Precisa de famílias presentes, não apenas críticas.Precisa de alunos que compreendam que estudar é um privilégio e uma responsabilidade. Se continuarmos fingindo que está tudo normal, perderemos mais do que índices educacionais. 
Perderemos caráter, autonomia, pensamento crítico.
Perderemos uma geração inteira para a  apatia.Ainda há tempo de reconstruir.
Mas isso exige coragem para admitir erros. Exige que a família reassuma seu papel.
Que o aluno compreenda sua responsabilidade. E que a escola seja respeitada como espaço sagrado de formação. O ano letivo começou. A pergunta que precisa ecoar é simples e dura: Estamos educando para o futuro ou apenas administrando o fracasso do presente?
MARCELO BRAGA

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