quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

 


Esporte em São Francisco do Sul: da CME à SME — evolução institucional ou mudança de siglas?

O esporte francisquense carrega uma história marcada por esforço, voluntariado e paixão comunitária. No entanto, quando analisamos a estrutura administrativa ao longo das últimas décadas, percebemos que as mudanças institucionais nem sempre foram acompanhadas de planejamento técnico e continuidade de políticas públicas.

Nas décadas de 80 e 90, o esporte era conduzido pela CME – Comissão Municipal de Esportes. Era um modelo mais simples, muitas vezes dependente da boa vontade de dirigentes e apoiadores locais. Havia limitações estruturais, mas existia proximidade com as comunidades e com as lideranças esportivas.

A partir dos anos 2000, tentou-se modernizar o sistema com a criação da FME – Fundação Municipal de Esportes, modelo comum em diversas prefeituras brasileiras. No papel, parecia um avanço administrativo. Contudo, em São Francisco do Sul, a fundação não possuía dotação orçamentária própria nem autonomia financeira efetiva — sequer tinha estrutura independente com CNPJ ativo que garantisse gestão administrativa plena. Na prática, tornou-se uma mudança nominal sem a sustentação técnica e orçamentária necessária para produzir resultados duradouros.

Hoje vivemos a fase da SME – Secretaria Municipal de Esportes. A transformação em secretaria poderia representar consolidação institucional, maior força política e capacidade de planejamento estratégico. Porém, o que se observa é a ausência de uma estrutura técnica sólida capaz de garantir continuidade, metas claras e avaliação de desempenho nas mais diversas modalidades.

A importância da qualificação técnica

Cargos estratégicos, como o de Diretor Técnico, deveriam ser ocupados por profissionais com formação específica — preferencialmente professores de Educação Física, com conhecimento em gestão esportiva, planejamento de competições, formação de base e políticas públicas. O esporte moderno exige metodologia, indicadores, captação de recursos, integração com escolas e projetos sociais.

Sem uma equipe técnica estruturada:

  • Projetos começam e não têm continuidade;

  • Modalidades são priorizadas por conveniência política e não por planejamento;

  • Falta calendário fixo e metas de médio e longo prazo;

  • Perde-se a oportunidade de formar atletas e cidadãos.

Gestão desportiva e interferência política

É inegável que a gestão do esporte municipal mudou muito ao longo dos anos, muitas vezes por questões políticas. Cada troca de governo traz novas diretrizes, interrompe programas e altera prioridades. O resultado é a descontinuidade — um dos maiores inimigos da política pública eficiente.

O esporte não pode ser tratado como ação de governo; precisa ser política de Estado municipal, com planejamento plurianual, metas claras e participação social.

Onde está o Conselho Municipal de Esportes?

Outro ponto fundamental é o papel do Conselho Municipal de Esportes. Ele deveria ser ativo, deliberativo e fiscalizador. Deveria reunir representantes de clubes, associações, professores, atletas e comunidade. No entanto, muitos sequer sabem se ele está ativo ou funcionando regularmente.

Um conselho atuante poderia:

  • Debater prioridades;

  • Acompanhar orçamento;

  • Propor editais e programas;

  • Fiscalizar a aplicação de recursos;

  • Garantir transparência e continuidade.

Escutar os segmentos esportivos

A atual gestão tem a oportunidade de construir um novo momento. Para isso, é essencial ouvir os diversos segmentos: futebol amador, futsal, futebol feminino, modalidades individuais, esporte escolar, projetos sociais, veteranos e categorias de base.

Não se constrói política esportiva apenas de gabinete. Constrói-se com diálogo, planejamento e técnica.

Conclusão

Não há mais espaço para amadorismo administrativo.
Não há mais espaço para decisões técnicas baseadas apenas em conveniência política.
E merece uma administração à altura da sua importância.  

O esporte cresceu. Cresceu em número de praticantes, em diversidade de modalidades, em impacto social e em importância na vida das famílias. Hoje ele não é apenas lazer — é saúde pública, é prevenção, é formação de caráter, é inclusão social, é oportunidade para crianças e jovens que encontram na quadra, no campo, na piscina ou na água do remo um caminho longe das drogas, da violência e da ociosidade.

O esporte de hoje é mais complexo, mais profissional e mais estratégico. Ele movimenta economia, fortalece identidade comunitária e projeta o nome de São Francisco do Sul além de suas fronteiras. Não estamos mais nos anos 80, quando bastava boa vontade. A realidade mudou — e exige preparo.

Não há mais espaço para improviso.

Gestão esportiva exige competência, planejamento, formação técnica, metas claras e responsabilidade com o dinheiro público. Exige profissionais qualificados, diálogo com os segmentos esportivos e continuidade de projetos. Exige visão de futuro.

Se o esporte evoluiu — a gestão precisa evoluir junto.

Porque quando o esporte é tratado com seriedade, toda a cidade cresce. Quando é negligenciado, perde-se muito mais do que campeonatos: perde-se saúde, perde-se cidadania, perde-se futuro.

O momento pede maturidade institucional. Pede compromisso. Pede gestão séria e competente.

O esporte francisquense é grande.

MARCELO BRAGA 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 


Educação Física Escolar: Muito Além da Bola na Quadra

Durante muitos anos, a disciplina de Educação Física foi injustamente rotulada dentro das escolas. Criou-se a imagem equivocada de que o professor apenas “jogava a bola” para os alunos e se ausentava, o famoso e pejorativo apelido de “professor cafezinho”. Essa visão reducionista desconsidera a verdadeira dimensão pedagógica, formativa e social da Educação Física no contexto escolar.

A Educação Física é componente curricular obrigatório e possui objetivos claros: desenvolver habilidades motoras, promover saúde, estimular o trabalho em equipe, ensinar respeito às regras, fortalecer valores como cooperação, disciplina e superação. Não se trata apenas de esporte, mas de formação integral do aluno. Corpo e mente caminham juntos no processo educativo.

Uma aula bem planejada envolve metodologia, objetivos específicos, avaliação, adaptação às diferentes faixas etárias e inclusão de todos os estudantes. Pode acontecer na quadra, sim, mas também na sala de aula, com conteúdos teóricos sobre saúde, qualidade de vida, alimentação, prevenção de lesões, história do esporte, ética esportiva e cidadania. Educação Física é conhecimento, é ciência do movimento humano.

O professor despreparado compromete não apenas a disciplina, mas a formação dos alunos. Se o profissional não estiver disposto a estudar, se atualizar e dar o seu melhor, precisa repensar sua escolha. A educação não pode pagar o preço da negligência. Não podemos oferecer um ensino de baixa qualidade sob justificativas constantes.

Sabemos das dificuldades enfrentadas nas escolas: falta de espaço adequado, carência de materiais, turmas numerosas e, muitas vezes, pouco reconhecimento. Essa é a realidade de muitos profissionais. Porém, essas limitações não podem servir como desculpa permanente para aulas improvisadas ou sem planejamento. O bom educador adapta, cria, reinventa e busca soluções.

Dar 100% não significa ignorar os problemas estruturais, mas assumir a responsabilidade ética com os alunos. Cada aula é uma oportunidade de impactar vidas, estimular hábitos saudáveis e formar cidadãos mais conscientes. Em tempos de sedentarismo, excesso de telas e problemas emocionais entre crianças e adolescentes, a Educação Física torna-se ainda mais essencial.

Valorizar a Educação Física é valorizar a saúde, o equilíbrio emocional, a convivência social e o desenvolvimento humano. Não é disciplina menor, não é momento de “recreação solta”. É parte fundamental do currículo escolar.

Que possamos romper de vez com estereótipos ultrapassados e reafirmar o compromisso com uma Educação Física séria, planejada e transformadora. A escola precisa de profissionais comprometidos, preparados e apaixonados pelo que fazem. Porque educar pelo movimento é também educar para a vida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 ARTIGO : A educação infantil no Brasil: desigualdades que começam cedo e suas consequências 26/01/2026


A educação infantil é a base de toda trajetória escolar, e é nesse período que se constituem as primeiras habilidades cognitivas, sociais e motoras da criança. Ainda assim, no Brasil, existe uma disparidade significativa entre o que muitas escolas públicas oferecem em comparação com a educação infantil em escolas particulares. Essa diferença se manifesta, sobretudo, na preparação das crianças para o primeiro ano do ensino fundamental, gerando uma reflexão profunda sobre organização, qualidade e equidade educacional.


Dados recentes mostram que o Brasil ainda enfrenta desafios no acesso e na qualidade da educação infantil. Em 2024, cerca de 94,6% das crianças de 4 e 5 anos frequentavam a educação infantil, um avanço em relação à década anterior, mas ainda com lacunas importantes no acesso universal à pré-escola.
Mesmo com esse alto índice de frequência, os dados oficiais revelam que muitas crianças que chegam ao final da educação infantil — especialmente em unidades públicas — ainda não dominaram habilidades básicas como a organização de rotina, comportamento coletivo apropriado (como fazer fila) e noções iniciais de linguagem escrita.


 Essa realidade contrasta com a observada em muitas escolas particulares, onde as crianças, ao concluírem o Pré-II, já demonstram competências próximas à alfabetização emergente, incluindo identificação de letras, escrita de nome e capacidade de reconhecer palavras simples. Embora seja fundamental evitar generalizações — pois existem escolas públicas com excelentes resultados e escolas particulares que não alcançam os padrões esperados — a disparidade educacional é evidente e respaldada por dados nacionais. 


Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), apenas 56% das crianças brasileiras até o segundo ano do ensino fundamental estavam alfabetizadas em 2023, um índice que refletiu recuperação pós pandemia, mas ainda distante de uma universalização efetiva. A alfabetização na idade adequada está diretamente conectada à qualidade da educação infantil. Quando a base na pré-escola é fraca ou inconsistente, a criança entra no ensino fundamental em desvantagem, enfrentando maiores dificuldades para acompanhar o ritmo da aprendizagem. Em redes particulares, muitas vezes, há um investimento maior em estrutura pedagógica, formação continuada de professores, materiais didáticos e métodos que antecipam a compreensão da leitura e escrita. Essa preparação não é apenas um diferencial, mas uma realidade que contribui para a construção da autonomia cognitiva das crianças.


Por outro lado, diversas escolas públicas lidam com desafios estruturais que interferem diretamente na qualidade do atendimento às crianças pequenas. Fatores como falta de materiais adequados, turmas superlotadas, ausência de formação específica para a educação infantil e limitações de infraestrutura comprometem o trabalho pedagógico. Além disso, a educação pública sofre com desigualdades regionais e socioeconômicas que dificultam ainda mais o acesso de crianças em contextos vulneráveis.
O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 mostra que, embora o acesso à educação infantil tenha progredido ao longo da década, ainda existe uma diferença marcante entre grupos socioeconômicos: crianças dos 20% mais pobres têm acesso bem menor à educação infantil em comparação com aquelas dos 20% mais ricos, evidenciando desigualdade estrutural desde os primeiros anos de vida.


Essas disparidades educacionais — que começam já na infância — têm efeitos ao longo de toda a trajetória escolar. Quando uma criança entra no ensino fundamental sem habilidades prévias de organização, linguagem e socialização, o desafio de alcançar níveis adequados de aprendizagem se torna maior. A educação infantil não deve ser meramente um espaço de cuidado ou guarda, mas um ambiente intencional de ensino que prepara a criança para os desafios escolares seguintes.
Debater essas questões é essencial não para desqualificar sistemas, mas para identificar caminhos de melhoria. A educação infantil pública precisa de políticas que fortaleçam a formação de professores, garantam materiais pedagógicos de qualidade, ampliem o acesso universal e valorizem a importância dessa etapa como investimento no futuro. Sem isso, continuaremos a perpetuar uma desigualdade que deveria ser enfrentada com urgência.
A educação deve ser um direito equitativo — e isso começa desde os primeiros anos de vida.

PROFESSOR MARCELO BRAGA

 

Oito anos de gestão: trabalho, legado, desafios e aprendizado  19/01/2026

Foram oito anos à frente da Escola de Educação Básica Engenheiro Annes Gualberto, um período marcado por intenso trabalho, aprendizado contínuo, crescimento pessoal e profissional. A gestão escolar, na prática, exige muito mais do que planejamento administrativo: exige sensibilidade humana, capacidade de diálogo, firmeza nas decisões e, acima de tudo, compromisso com a comunidade escolar.

 

Nada do que foi construído ao longo desses anos foi resultado de esforço individual. Cada avanço só foi possível graças ao trabalho conjunto de professores, funcionários, equipe pedagógica, pais, APP e alunos. A escola se transformou em uma referência positiva justamente porque houve união, participação e responsabilidade coletiva.

 

Ao longo da gestão, buscamos utilizar os recursos disponíveis da melhor maneira possível, sempre com foco na melhoria das condições de ensino e aprendizagem. Muitas conquistas vieram após longos processos, reuniões, insistência e enfrentamento de obstáculos burocráticos e políticos.

 

A instalação de aparelhos de ar-condicionado é um exemplo claro disso. Não foi um processo simples. Exigiu articulação, cobranças constantes e muita persistência para que a escola pudesse oferecer melhores condições térmicas a alunos e professores. Da mesma forma, a conquista das lousas digitais, que inicialmente não estavam destinadas à nossa unidade, só ocorreu porque houve mobilização e defesa firme do direito da escola de avançar tecnologicamente.

 

Outro marco importante foi a instalação de câmeras em sala de aula, decisão tomada com total transparência e aprovada em reunião pelos pais, sempre com o objetivo de garantir segurança, organização e tranquilidade para a comunidade escolar. Ainda em 2016, adotamos a proibição do uso de celulares pelos alunos em sala de aula, medida que também contou com o apoio dos pais e que contribuiu significativamente para o foco pedagógico e a convivência escolar.

 

Apesar dos muitos avanços, é importante registrar que nem tudo foi possível realizar. Havia projetos estruturais fundamentais que estavam em processo de licitação, como o fechamento lateral da quadra esportiva, a construção de duas novas salas de aula e de um refeitório adequado. Infelizmente, por questões políticas alheias à gestão da escola, essas obras não foram concluídas, mesmo estando encaminhadas.

 

Essas limitações não anulam o trabalho realizado, mas fazem parte da realidade da gestão pública. Ficam como frustração, aprendizado e também como registro para que a história seja contada de forma honesta e completa.

 

Hoje, a Escola Annes Gualberto é lembrada como uma referência positiva pela comunidade. Esse reconhecimento não pertence a uma pessoa, mas a todos que passaram pela escola durante esse período. Professores, gestores, funcionários, APP, pais e alunos deixaram sua contribuição e ajudaram a construir esse legado.

 

Existe, sim, vontade de continuar, de fazer mais, de concluir projetos que ficaram pelo caminho. No entanto, também existe a compreensão de que os ciclos precisam ser respeitados. Este ciclo se encerrou, deixando aprendizado, amadurecimento e a certeza de que o trabalho foi feito com seriedade, ética e compromisso.

 

Que a escola siga avançando, que novas gestões possam dar continuidade ao que foi iniciado e que a história construída nesses oito anos seja lembrada não apenas pelas conquistas, mas pela dedicação diária de todos que acreditaram na educação como instrumento de transformação.

 

Professor Marcelo Braga

 

A iniciação de crianças no futebol e os excessos que destroem sonhos 16/01/2026

Ao longo da minha trajetória acompanhando competições de base, especialmente nas categorias menores, vivi de perto situações que deveriam servir de alerta para todos nós. A iniciação de crianças no futebol deveria ser um espaço de aprendizado, diversão, socialização e formação de valores, mas, infelizmente, muitas vezes se transforma em um ambiente de pressão, cobrança e conflitos desnecessários.

Em competições com crianças de 6, 7 e 9 anos, é comum presenciar pais fora da quadra ou do campo dando exemplos lamentáveis. Gritos agressivos, cobranças exageradas, ofensas a árbitros, treinadores e até às próprias crianças se tornaram cenas recorrentes. Alguns pais exigem desempenho de adulto, esquecendo que ali estão crianças em processo de desenvolvimento físico, emocional e psicológico.

O futebol, nessa fase, não pode ser tratado como resultado, troféu ou vitrine. Ele deve ser ferramenta educativa. Quando um adulto cobra vitória a qualquer custo, transmite à criança a ideia de que errar é fracassar, quando, na verdade, errar faz parte do aprendizado. O medo de decepcionar os pais passa a substituir o prazer de jogar.

Em muitas competições menores que acompanhei, vi crianças chorando após partidas, não por terem perdido, mas pelo medo da reação dos adultos. Isso é inadmissível. O esporte não pode ser um ambiente de sofrimento. Ele precisa ensinar respeito, disciplina, trabalho em equipe e superação saudável.

Infelizmente, hoje a situação está ainda pior. A competitividade excessiva, alimentada por redes sociais e falsas promessas de sucesso precoce, tem antecipado cobranças que não cabem à infância. Estamos formando atletas ansiosos, inseguros e, muitas vezes, afastando crianças do esporte.

Pais precisam compreender seu papel: apoiar, incentivar e respeitar o processo. Treinadores devem reforçar valores e limites. E as instituições precisam agir para proteger a criança. O futebol de base deve formar pessoas antes de formar jogadores.

Preservar a infância é garantir um futuro melhor, dentro e fora dos campos.

Professor Marcelo Braga

 

TÍTULO: “POR MAIS JUSTIÇA: REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL”
A sociedade brasileira vive uma tensão crescente entre o desejo legítimo de proteger crianças e adolescentes e a necessidade de responder com firmeza a atos de violência cada vez mais precoces e chocantes. O debate sobre a redução da maioridade penal — do atual patamar de 18 anos para 16 ou menos em casos graves — não é apenas jurídico: é uma questão de justiça, de segurança pública e de respeito às vítimas e às famílias que sofrem consequências irreversíveis de crimes brutais.

Quando ocorrências de crimes graves têm autores na faixa dos 16 aos 17 anos, o atual sistema — baseado em medidas socioeducativas — frequentemente não oferece penas proporcionais à gravidade dos atos, nem garante a sensação de justiça para as vítimas. Por isso, a proposta de reduzir a maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos surge como uma resposta necessária: não para punir indiscriminadamente jovens em conflito com a lei, mas para responsabilizar aqueles que, apesar da juventude, cometem crimes que ferem profundamente a sociedade.
Internacionalmente, a maioridade penal varia muito e pode servir de referência para o Brasil. 

Em muitos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a idade de responsabilidade penal é bem inferior a 18 anos, variando entre 10 e 14 anos, dependendo da legislação local. Em estados dos Estados Unidos, por exemplo, não há idade mínima definida em alguns casos, enquanto na Inglaterra e País de Gales a responsabilidade penal começa aos 10 anos, e outros países europeus como Espanha e Alemanha adotam 14 anos em situações específicas de crimes graves.

A própria **Suécia anunciou recentemente a redução de sua idade de responsabilidade penal de 15 para 13 anos em um projeto de combate à violência envolvendo gangues e uso de menores em crimes, diante de um aumento de casos de homicídios atribuídos a crianças abaixo de 15 anos.
Esses exemplos mostram duas tendências importantes: primeiro, regimes legais mais rígidos em relação à responsabilidade penal juvenil são adotados quando há aumento de violência grave cometida por jovens; segundo, a discussão sobre maioridade penal não é estática nem uniforme — países adaptam suas leis à realidade social e aos índices de criminalidade.
O argumento de detratores de qualquer redução baseia-se muitas vezes em princípios de proteção infantil e desenvolvimento cognitivo. No entanto, esses princípios não podem se sobrepor ao direito das vítimas à justiça, especialmente quando a capacidade de discernimento do adolescente já está suficientemente madura para compreender a gravidade de atos violentos cometidos. 

Crimes hediondos cometidos por adolescentes — como homicídios, estupros e violentos ataques a instituições — não só destroem vidas como também corroem a sensação de segurança de toda a população.
Reduzir a maioridade penal não é uma medida punitiva indiscriminada, mas sim um ajuste proporcional da legislação a uma realidade que existe e precisa ser enfrentada. Isso deve ser feito com critérios rigorosos, limitados aos casos mais graves, e combinado com políticas públicas de prevenção, educação, apoio familiar e reintegração social.

O Brasil não pode se tornar um país em que atos bárbaros cometidos por jovens sejam tratados com sanções leves ou simbólicas, enquanto as vítimas e suas famílias carregam traumas permanentes. Responsabilizar penalmente adolescentes por crimes graves é, antes de tudo, uma afirmação de que a vida e a segurança de todos são valores fundamentais que devem ser preservados.
E você oque acha ?, deixe sua opinião , seu comentário . 

MARCELO BRAGA 

 

ARTIGO : 20/02/2026 ESCOLA EM COLAPSO MORAL? ENTRE A OMISSÃO FAMILIAR E A GERAÇÃO SEM PROPÓSITO

Iniciamos mais um ano letivo. Portões abertos, salas organizadas, planejamentos prontos. Mas o que se vê por trás da rotina aparente é um cenário inquietante.
Alunos desinteressados, dispersos, conectados a tudo — menos ao conhecimento. Pais cada vez mais distantes do processo educativo. E professores sobrecarregados, cobrados, pressionados, responsabilizados por tudo. A escola continua sendo chamada de “formadora de cidadãos”. 
Mas como formar quando a base vem fragilizada?
Como ensinar disciplina a quem nunca ouviu “não”? Como exigir compromisso de quem nunca teve exemplo de responsabilidade? Vivemos uma geração que muitas vezes não sabe por que está na escola. Não há projeto, não há propósito, não há horizonte.
Há apenas a obrigação de cumprir presença. A escola virou depósito de expectativas frustradas. E o professor, o alvo preferido das cobranças. Quando o aluno fracassa, a culpa é da escola. Quando não aprende, a metodologia é questionada. Quando é indisciplinado, a autoridade do professor é atacada. Raramente se pergunta: onde está a família? Onde estão os limites? Onde estão os valores? Educar nunca foi tarefa exclusiva da escola. A formação começa em casa. Respeito, ética, responsabilidade e compromisso não se aprendem apenas no quadro branco. 
Aprendem-se no exemplo diário. Na palavra cumprida. Na presença ativa dos pais. Entretanto, o que vemos é a terceirização da responsabilidade. Pais que delegam tudo à instituição. Que defendem os filhos automaticamente, mesmo quando estão errados. Que confundem amor com permissividade. Que veem a escola como prestadora de serviço, não como parceira formadora. O resultado é visível. Salas desmotivadas. Professores emocionalmente exaustos. Gestões tentando equilibrar diálogo e autoridade. E uma aprendizagem cada vez mais superficial. Não se trata de romantizar o passado. Trata-se de reconhecer que há uma crise de sentido. Uma geração hiper conectada, mas desconectada do esforço.

 busca resultados imediatos, mas rejeita processos. Que quer direitos, mas resiste a deveres. A escola não pode ser bode expiatório de falhas estruturais da sociedade.
Ela precisa ser fortalecida, não deslegitimada. Precisa de famílias presentes, não apenas críticas.Precisa de alunos que compreendam que estudar é um privilégio e uma responsabilidade. Se continuarmos fingindo que está tudo normal, perderemos mais do que índices educacionais. 
Perderemos caráter, autonomia, pensamento crítico.
Perderemos uma geração inteira para a  apatia.Ainda há tempo de reconstruir.
Mas isso exige coragem para admitir erros. Exige que a família reassuma seu papel.
Que o aluno compreenda sua responsabilidade. E que a escola seja respeitada como espaço sagrado de formação. O ano letivo começou. A pergunta que precisa ecoar é simples e dura: Estamos educando para o futuro ou apenas administrando o fracasso do presente?
MARCELO BRAGA

  Feminicídio no Brasil: Por Que Ainda Estamos Perdendo Mulheres Todos os Dias? O Brasil vive uma realidade dura e inquietante: mulheres co...