quarta-feira, 1 de abril de 2026

 




Feminicídio no Brasil: Por Que Ainda Estamos Perdendo Mulheres Todos os Dias?

O Brasil vive uma realidade dura e inquietante: mulheres continuam sendo assassinadas simplesmente por serem mulheres. O crime chamado feminicídio — quando uma mulher é morta por razões de gênero, muitas vezes por parceiros ou ex-parceiros — tornou-se um dos retratos mais trágicos da violência no país.

Mesmo com leis mais rígidas, campanhas públicas e maior debate social, os números continuam alarmantes.

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica recente. Na prática, isso significa que cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia no país por esse tipo de crime.

O problema pode ser ainda maior do que mostram as estatísticas oficiais. Um levantamento acadêmico apontou que, somando casos consumados e tentativas, 6.904 mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa em 2025, número 34% maior que em 2024.

Isso representa quase seis casos por dia, entre mortes e tentativas.


 Evolução recente dos feminicídios no Brasil

AnoCasos registrados
20231.438
20241.450
20251.470

Fonte: Ministério da Justiça / Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.

O gráfico mostra que o problema não está diminuindo — ao contrário, mantém uma tendência persistente de crescimento ou estabilidade em níveis muito altos.


Um crime que quase sempre começa dentro de casa

Um dado que torna o tema ainda mais perturbador é que a maioria dos feminicídios ocorre dentro do ambiente doméstico. Muitas vítimas já haviam sofrido ameaças, agressões ou violência psicológica antes do crime fatal.

Especialistas alertam que o feminicídio raramente acontece de forma repentina. Normalmente ele é o último estágio de uma escalada de violência que começa com controle, humilhação e agressões físicas.

Ou seja: muitas mortes poderiam ser evitadas se os sinais anteriores fossem levados mais a sério pela sociedade e pelas autoridades.


Leis existem… mas o problema continua

O Brasil possui legislação específica para combater esse crime. A Lei do Feminicídio, criada em 2015, transformou esse tipo de assassinato em circunstância qualificadora do homicídio, aumentando a pena para os agressores.

Mesmo assim, os números seguem altos. Isso levanta um debate difícil, mas necessário:

  • Falta fiscalização das medidas protetivas?
  • A polícia consegue agir antes da tragédia?
  • A cultura da violência doméstica ainda é tolerada em parte da sociedade?
  • Ou estamos falhando na educação e prevenção?

O fato é que cada estatística representa uma vida interrompida, uma família destruída e filhos que crescem sem suas mães.


Um problema que vai além da política

Combater o feminicídio não depende apenas de leis ou governos. Envolve mudanças profundas na sociedade:

  • denúncia de violência doméstica
  • proteção real às vítimas
  • educação para o respeito
  • punição efetiva aos agressores

Sem isso, os números continuarão se repetindo ano após ano.


 A pergunta que o Brasil precisa responder

Se quatro mulheres continuam sendo assassinadas todos os dias no país, mesmo com leis mais duras e campanhas públicas…

O que realmente está falhando no Brasil: a lei, o Estado ou a própria sociedade?


terça-feira, 31 de março de 2026

 


ARTIGO : 1º DE ABRIL DE 2026

Brigas Generalizadas no Esporte Amador: Quando a Paixão Pelo Jogo Ultrapassa os Limites

O esporte amador sempre foi um espaço de convivência, lazer e integração social. Em campos de futebol, quadras e praias, famílias se reúnem para torcer, conversar e apoiar seus times e atletas. Porém, episódios recentes ocorridos em torneios esportivos na região de Joinville, em Santa Catarina, e também no campeonato de beach soccer realizado em Penha, acendem um alerta preocupante sobre o aumento da violência no esporte amador.

Em um torneio de futebol em Joinville, o que deveria ser apenas uma disputa esportiva acabou se transformando em uma briga generalizada envolvendo atletas e outras pessoas presentes no local. Situação semelhante também ocorreu durante partidas do campeonato catarinense de beach soccer em Penha, onde discussões e agressões tomaram conta do ambiente esportivo.

Esses episódios são extremamente preocupantes porque o esporte amador, diferente do profissional, não envolve grandes contratos, salários ou disputas milionárias. Na grande maioria das vezes, os atletas participam por paixão ao esporte, amizade e vontade de competir de forma saudável. Ninguém ganha dinheiro para jogar. Pelo contrário: muitas vezes os próprios jogadores ajudam com custos de transporte, uniformes ou inscrição para que os campeonatos aconteçam.

Por isso, quando uma partida termina em agressões, empurrões e pancadaria, todos perdem. Perdem os atletas, os organizadores, os árbitros e principalmente o público que comparece para assistir e prestigiar o evento. É comum que nesses locais estejam presentes crianças, jovens, idosos e famílias inteiras, que veem no esporte amador um momento de lazer e descontração.

Outro ponto que preocupa muito é a crescente agressão contra árbitros. O árbitro está em campo para garantir que as regras sejam respeitadas, mas em muitos casos acaba se tornando alvo de insultos, ameaças e até agressões físicas. Isso é inadmissível. Sem arbitragem não existe competição esportiva organizada.

Além disso, agressões entre atletas também são cada vez mais frequentes. Uma falta mais dura, uma decisão contestada ou uma provocação podem desencadear discussões que rapidamente se transformam em brigas coletivas. O problema é que esse tipo de situação pode fugir do controle e terminar em tragédia.

Infelizmente, já existem casos no Brasil em que brigas em campeonatos amadores terminaram em ferimentos graves e até mortes. Quando o clima de violência se instala, qualquer objeto pode virar arma e qualquer discussão pode escalar para consequências irreversíveis.

Diante desse cenário, é fundamental que organizadores de campeonatos, ligas esportivas e autoridades locais adotem medidas mais firmes para garantir a segurança. Isso pode incluir regulamentos mais rigorosos, punições esportivas para atletas e equipes envolvidas em agressões, além da presença de segurança em partidas com grande público.

Também é importante reforçar o trabalho de educação esportiva, lembrando que o verdadeiro espírito do esporte está no respeito ao adversário, à arbitragem e às regras do jogo. Ganhar é bom, mas vencer a qualquer custo não pode ser o objetivo.

O esporte amador precisa continuar sendo aquilo que sempre foi: um espaço de convivência, alegria e comunidade. Campos de futebol, quadras e praias devem ser lugares onde as pessoas se encontrem para celebrar o esporte, e não para presenciar cenas de violência.

Se nada for feito, episódios como os que ocorreram recentemente em Joinville e Penha podem se repetir — e talvez com consequências ainda mais graves. O momento exige reflexão, responsabilidade e ação para que o esporte continue sendo uma ferramenta de união, e não de conflito. 

MARCELO BRAGA 

segunda-feira, 30 de março de 2026

 EDUCAÇÃO EM FOCO : ARTIGO 30/03/2026 

Indisciplina nas Escolas: Falta de Limites ou Falta de Consequências?

A indisciplina nas escolas tem se tornado um tema cada vez mais preocupante em diversas regiões do Brasil, e a realidade não é diferente no município de São Francisco do Sul. O que antes eram situações pontuais hoje tem se transformado em episódios frequentes que afetam o ambiente escolar, a aprendizagem e até a segurança de alunos, professores e funcionários.

Muitos educadores e pais têm relatado um aumento significativo de comportamentos inadequados dentro e fora das escolas. Casos de desrespeito aos professores, discussões entre alunos, agressões verbais e físicas tornaram-se cada vez mais comuns no cotidiano escolar. A pergunta que surge é inevitável: estamos diante de uma falta de limites ou de uma ausência de consequências para quem comete esses atos?

Em várias instituições de ensino, tanto públicas quanto particulares, há relatos de situações que preocupam profundamente a comunidade. Em muitos casos, episódios de indisciplina acabam sendo minimizados ou até mesmo acobertados para evitar repercussões negativas para a escola ou para preservar a imagem da instituição. No entanto, ignorar o problema não o faz desaparecer; pelo contrário, pode contribuir para que ele se agrave ainda mais.

Entre os fatos que têm sido mencionados por profissionais da educação e famílias estão casos de bullying extremo, que muitas vezes deixam marcas emocionais profundas nas vítimas. Há também episódios de violência física entre estudantes, brigas dentro do ambiente escolar e conflitos que se estendem para fora dos portões das escolas.

Outro fator preocupante é o registro de alunos levando para a escola cigarros eletrônicos, objetos perfurantes ou armas brancas, além de situações envolvendo consumo ou circulação de drogas. Esses comportamentos revelam um cenário que exige atenção urgente de toda a sociedade, pois a escola deveria ser um espaço seguro de aprendizagem, convivência e formação cidadã.

É importante destacar que o problema da indisciplina não pode ser atribuído apenas às escolas ou aos professores. A educação é um processo que envolve também a família e a comunidade. Quando valores como respeito, responsabilidade e limites não são trabalhados desde cedo no ambiente familiar, a escola acaba enfrentando dificuldades maiores para manter a disciplina e a organização.

Por outro lado, muitos educadores também apontam que a falta de consequências claras para atos de indisciplina tem contribuído para o aumento desses comportamentos. Em alguns casos, medidas disciplinares acabam sendo evitadas por receio de conflitos com famílias ou por limitações impostas por normas e procedimentos administrativos.

O resultado desse cenário é um ambiente escolar muitas vezes tenso, em que professores se sentem desmotivados e alunos que desejam aprender acabam sendo prejudicados pela falta de ordem e respeito em sala de aula.

Diante dessa realidade, torna-se fundamental abrir um debate sério e responsável sobre o tema. A disciplina não deve ser confundida com autoritarismo, mas sim entendida como um conjunto de regras necessárias para garantir o respeito mútuo e o bom funcionamento da escola.

A comunidade de São Francisco do Sul precisa discutir soluções que envolvam escolas, famílias, autoridades e a própria sociedade. Projetos educativos, fortalecimento do diálogo com os pais, apoio aos professores e políticas públicas voltadas à prevenção da violência escolar são caminhos possíveis para enfrentar o problema.

A escola deve continuar sendo um espaço de formação, respeito e construção de valores. Ignorar os sinais de alerta pode levar a consequências ainda mais graves no futuro. A pergunta que fica é: estamos preparados para enfrentar essa realidade ou continuaremos fingindo que nada está acontecendo?

MARCELO BRAGA 

sexta-feira, 27 de março de 2026

 


ARTIGO 27/03/2026

A Verdade que Poucos Querem Ouvir: A Crise da Educação Não Começou na Escola
Durante muitos anos, quando se fala em crise na educação, o primeiro lugar apontado é a escola. Criticam-se professores, diretores, métodos de ensino e até o próprio sistema educacional. No entanto, é preciso coragem para dizer uma verdade que muitos preferem ignorar: a crise da educação não começou na escola.
A escola é apenas o reflexo de uma sociedade que mudou profundamente nos últimos anos. Mudaram os valores, mudaram as prioridades e, infelizmente, em muitos casos, enfraqueceu-se o papel da família na formação das novas gerações.
Antigamente, a criança chegava à escola sabendo o básico da convivência. Sabia respeitar os mais velhos, ouvir quando alguém falava, pedir licença, agradecer e reconhecer limites. A escola entrava então com sua missão principal: ensinar conteúdos, desenvolver o pensamento e ampliar o conhecimento.
Hoje, muitos professores enfrentam um desafio muito maior. Antes de ensinar matemática, português ou história, precisam ensinar respeito, disciplina e convivência. Precisam lidar com alunos que muitas vezes cresceram sem limites claros e sem referências sólidas dentro de casa.
Não se trata de culpar apenas as famílias. Vivemos em uma sociedade acelerada, onde muitos pais trabalham o dia inteiro, enfrentam dificuldades e acabam tendo pouco tempo para acompanhar a vida escolar dos filhos. Mas é justamente nesse ponto que surge uma reflexão importante: educação exige presença, orientação e exemplo.
Nenhuma tecnologia, nenhum método pedagógico e nenhuma reforma educacional será suficiente se a base da formação humana estiver fragilizada. A escola pode ensinar conteúdos, mas valores são aprendidos principalmente dentro de casa.
Quando família e escola caminham juntas, o processo educativo se fortalece. Quando uma das partes se distancia, todo o sistema sofre as consequências.
O professor precisa do apoio da família. A família precisa confiar na escola. E a sociedade precisa voltar a valorizar a educação como um dos pilares fundamentais para o futuro.
A verdadeira transformação educacional não acontecerá apenas com novas leis ou novos currículos. Ela começará quando todos entenderem que educar é uma responsabilidade compartilhada.
Se queremos uma educação melhor, talvez a pergunta mais importante não seja o que a escola está fazendo de errado, mas sim o que todos nós estamos deixando de fazer.
Diante de tudo isso, fica uma pergunta que precisa ser feita com sinceridade: estamos realmente educando nossos filhos para a vida ou apenas transferindo essa responsabilidade para a escola?
MARCELO BRAGA

quinta-feira, 26 de março de 2026

 


ARTIGO : 26/03/2026 

Motos Elétricas, Jovens e Responsabilidade: Quem Está Errado nessa História?

Nos últimos dias, um episódio ocorrido em São Francisco do Sul reacendeu um debate importante sobre educação, responsabilidade e respeito às leis de trânsito. A apreensão de várias motos elétricas pela Polícia Militar de Santa Catarina, que estavam estacionadas irregularmente em frente a uma escola particular da cidade, gerou revolta em muitos pais e estudantes. No entanto, a situação levanta uma reflexão muito mais profunda: afinal, quem realmente está errado nessa história?

Segundo relatos, a escola havia proibido que as motos elétricas fossem deixadas dentro do espaço interno da instituição. Diante dessa decisão, alguns alunos optaram por estacionar os veículos em frente à escola, mas em um local proibido para motos. A consequência foi previsível: a Polícia Militar realizou a fiscalização e determinou o guinchamento das motos que estavam em situação irregular.

O episódio gerou indignação em alguns pais, que rapidamente direcionaram críticas à escola e à ação da polícia. Porém, curiosamente, poucos questionaram o comportamento dos próprios filhos ou a falta de respeito às regras básicas de convivência e às leis de trânsito.

Esse tipo de situação revela um problema cada vez mais comum na sociedade atual: a dificuldade de muitos adultos em reconhecer erros e, principalmente, em educar os jovens para assumir responsabilidades por suas atitudes.

As motos elétricas, que deveriam representar uma alternativa moderna e sustentável de mobilidade, estão sendo usadas por muitos jovens sem qualquer noção de responsabilidade. Não é raro ver adolescentes circulando sem capacete, transportando passageiros de forma irregular, desrespeitando sinalizações e até utilizando calçadas e ciclovias de maneira inadequada.

Além do risco à própria vida, esse comportamento coloca em perigo pedestres, motoristas e outros usuários das vias públicas.

O problema, no entanto, não está apenas nos jovens. Muitas vezes ele começa dentro de casa. Quando pais ignoram ou minimizam atitudes erradas dos filhos, acabam reforçando a ideia de que regras existem apenas para os outros.

Educar não é apenas proteger. Educar também é corrigir, orientar e, quando necessário, impor limites.

A escola, nesse caso, cumpriu o seu papel ao estabelecer normas internas para garantir organização e segurança dentro de seu espaço. A polícia, por sua vez, apenas fez cumprir a legislação de trânsito. Ou seja, ambas as instituições atuaram dentro de suas responsabilidades.

O que parece faltar, infelizmente, é a mesma postura por parte de alguns pais, que preferem transferir a culpa para terceiros ao invés de enfrentar a realidade: seus filhos também precisam aprender a respeitar regras.

A juventude precisa de liberdade, mas liberdade sem responsabilidade se transforma em desordem. E quando a sociedade começa a tolerar pequenos erros, abre-se espaço para problemas maiores no futuro.

Talvez este episódio sirva como um alerta para todos: pais, educadores e jovens. O respeito às leis, à autoridade e às normas de convivência não deve ser visto como opressão, mas como um elemento essencial para uma sociedade mais justa e organizada.

No fim das contas, a pergunta que fica é simples, mas necessária: estamos realmente educando nossos jovens para a vida em sociedade ou apenas passando a mão em seus erros?

Porque, mais cedo ou mais tarde, a conta da falta de responsabilidade sempre chega. E, quase sempre, ela é cobrada da forma mais dura possível.

MARCELO BRAGA 

quarta-feira, 25 de março de 2026

 


ARTIGO 25/03/2026 
Os Desafios da Alfabetização no Brasil: Entre as Metas da BNCC e a Realidade das Escolas

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece que as crianças brasileiras devem estar alfabetizadas até o final do 2º ano do Ensino Fundamental. No papel, a proposta parece correta. Na prática, porém, a realidade das escolas públicas brasileiras mostra um cenário preocupante e até alarmante. Professores em todo o país relatam que muitas crianças chegam ao 1º ano sem habilidades básicas de convivência escolar, como permanecer sentadas, formar uma fila ou respeitar regras simples de sala de aula.

Os dados mais recentes mostram a gravidade do problema. Segundo o Indicador Criança Alfabetizada, divulgado pelo Ministério da Educação, apenas 59,2% das crianças da rede pública estavam alfabetizadas ao final do 2º ano em 2024. Isso significa que mais de 40% dos alunos não conseguem ler ou escrever textos simples na idade considerada adequada.

Em 2023, o índice era ainda menor: 56% das crianças atingiram o nível esperado de alfabetização, o que revela que quase metade dos estudantes brasileiros não consegue alcançar o básico da leitura e escrita no tempo previsto pela política educacional do país.

Esse dado, por si só, já demonstra que o sistema educacional brasileiro enfrenta um desafio gigantesco. O próprio governo federal estabeleceu a meta de chegar a 80% de crianças alfabetizadas até 2030, reconhecendo que o país ainda está muito distante de um cenário ideal.

Mas o problema não começa apenas no Ensino Fundamental. Muitos professores afirmam que ele tem origem na própria Educação Infantil. Em diversas escolas públicas, as crianças chegam ao 1º ano sem estímulos pedagógicos adequados, sem rotina de sala de aula e sem desenvolvimento de habilidades básicas de organização e convivência escolar, tudo por conta claro de orientações das próprias Secretarias de Educação Municipais que  "seguem a cartilha" a risca, não dando autonomia para os professores poderem desenvolver suas atividades .  

Enquanto isso, em muitas escolas privadas, a realidade costuma ser diferente. Grande parte das crianças chega ao 1º ano já reconhecendo letras, sílabas e até lendo pequenas palavras. Isso ocorre porque essas instituições, em geral, estimulam desde cedo atividades de linguagem, coordenação motora, disciplina e rotina pedagógica.

Essa desigualdade revela um problema estrutural da educação brasileira: a distância entre o ensino público e o privado. Enquanto algumas escolas oferecem turmas menores, acompanhamento individual e recursos pedagógicos variados, muitas escolas públicas enfrentam salas superlotadas, falta de profissionais e escassez de apoio pedagógico.

Outro fator crítico é o aumento da inclusão de alunos com necessidades especiais sem a devida estrutura. A inclusão é um princípio essencial da educação moderna, mas ela precisa vir acompanhada de profissionais especializados, apoio pedagógico e estrutura adequada. Quando isso não acontece, o professor acaba tendo que lidar sozinho com situações complexas em salas que muitas vezes ultrapassam 30 alunos.

Esse cenário gera uma sobrecarga enorme para os docentes. Professores precisam ensinar conteúdos, lidar com dificuldades de aprendizagem, administrar problemas de comportamento e ainda tentar garantir que todos avancem no processo de alfabetização.

A consequência é previsível: queda no rendimento, atraso na aprendizagem e frustração tanto para professores quanto para alunos.

A alfabetização é a base de toda a educação. Uma criança que não aprende a ler e escrever no início da vida escolar terá dificuldades em todas as disciplinas posteriores. Matemática, ciências, história e geografia dependem diretamente da capacidade de leitura e compreensão.

Por isso, quando o país falha na alfabetização, ele compromete toda a formação educacional das futuras gerações.

O Brasil precisa enfrentar essa realidade com coragem. Não basta criar metas em documentos oficiais. É necessário investir na formação de professores, fortalecer a Educação Infantil, reduzir o número de alunos por sala e garantir apoio especializado para estudantes com necessidades específicas.

Se nada mudar, continuaremos repetindo a mesma história: crianças avançando de ano sem aprender o básico e professores sendo responsabilizados por problemas que, na verdade, são estruturais.

A educação brasileira precisa de menos discurso e mais ação. Caso contrário, o país continuará assistindo ao crescimento de uma geração que chega ao final dos primeiros anos escolares sem dominar aquilo que deveria ser o primeiro passo de toda formação: aprender a ler e escrever.

MARCELO BRAGA 


terça-feira, 24 de março de 2026

 

ARTIGO 24/03/2026

A Crise da Profissão Docente no Brasil: Por Que Tantos Professores Estão Desistindo da Sala de Aula? 

Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado uma realidade preocupante na educação: muitos professores estão abandonando a profissão ou pensando seriamente em mudar de carreira. Aquela que sempre foi considerada uma das profissões mais importantes para a construção de uma sociedade melhor vive hoje um momento de grande crise e desmotivação.

Diversos fatores explicam esse fenômeno. Um dos principais é a desvalorização salarial. Em muitos estados e municípios, o salário do professor não corresponde à importância social da profissão nem ao nível de responsabilidade que o trabalho exige. Muitos docentes precisam trabalhar em duas ou até três escolas para complementar a renda, o que gera desgaste físico e emocional.

Outro problema grave é a falta de reconhecimento social. Embora o professor seja responsável pela formação de médicos, engenheiros, advogados e de todos os profissionais da sociedade, muitas vezes ele não recebe o respeito e a valorização que merece. Essa realidade gera frustração e sensação de abandono por parte do poder público e da própria sociedade.

Dados recentes mostram a dimensão desse problema. Uma pesquisa nacional revelou que 79,4% dos professores da educação básica já pensaram em desistir da profissão em algum momento da carreira. Entre os principais motivos citados estão os baixos salários, a falta de reconhecimento profissional e a carga excessiva de trabalho.

Além disso, muitos docentes enfrentam dificuldades dentro da própria sala de aula. A indisciplina dos alunos, a falta de interesse pelos estudos e a pouca participação das famílias no processo educacional tornam o trabalho ainda mais desafiador. Em muitos casos, o professor precisa gastar grande parte da aula tentando manter a ordem.

Estudos indicam que, no Brasil, os professores chegam a perder cerca de 21% do tempo de aula apenas tentando controlar a disciplina dos alunos, o que significa praticamente uma hora a cada cinco horas de aula.

Outro fator que contribui para o abandono da carreira é a falta de estrutura nas escolas. Muitas instituições ainda enfrentam problemas como salas superlotadas, falta de materiais didáticos, equipamentos precários e ambientes pouco adequados para o ensino.

A gestão escolar também pode influenciar diretamente na motivação dos professores. Gestores despreparados, excesso de burocracia e cobranças administrativas exageradas acabam afastando os docentes daquilo que realmente deveria ser o foco principal: ensinar e formar cidadãos.

Há ainda a questão da violência e do desrespeito dentro das escolas. Pesquisas mostram que mais da metade dos professores já sofreu algum tipo de violência no exercício da profissão, sendo a agressão verbal a mais comum. Esse cenário contribui para o aumento do estresse e do esgotamento profissional.

Outro aspecto preocupante é o crescimento do número de contratos temporários. Muitos professores trabalham sem estabilidade, com vínculos precários e salários ainda menores, o que gera insegurança e dificulta a construção de uma carreira sólida na educação.

Mesmo diante de tantas dificuldades, muitos professores continuam na profissão por vocação e pelo desejo de contribuir para o futuro das novas gerações. No entanto, é evidente que mudanças precisam acontecer com urgência.

Valorizar o professor significa investir em melhores salários, condições dignas de trabalho, formação continuada e respeito dentro da comunidade escolar. Sem professores motivados e valorizados, não existe educação de qualidade.

A educação sempre foi o caminho para o desenvolvimento de qualquer país. Se o Brasil deseja construir um futuro melhor, precisa começar valorizando aqueles que dedicam a vida a ensinar.

Caso contrário, continuaremos assistindo a um fenômeno preocupante: salas de aula cada vez mais vazias de professores e jovens cada vez mais distantes do verdadeiro sentido da educação.

Se quisermos transformar o país, a valorização do professor não pode ser apenas discurso. Precisa se tornar prioridade nacional. 

MARCELO BRAGA 

sexta-feira, 20 de março de 2026

 


ARTIGO 20/03/2026
Ser Professor é Mais que Dar Aula: É Ser uma Referência positiva
Uma notícia chocante circulou recentemente nas redes sociais e provocou indignação em muitas pessoas.
Duas professoras apareceram em um vídeo fumando maconha e a gravação acabou sendo divulgada publicamente.
O fato gerou revolta em parte da sociedade, principalmente entre pais e profissionais da educação.
A pergunta que surge imediatamente é simples e direta: qual deve ser a postura de um professor?
O educador não é apenas alguém que transmite conteúdo dentro de uma sala de aula.
Ele representa valores, princípios e atitudes diante dos alunos e da comunidade.
Por isso, a profissão docente exige responsabilidade que ultrapassa os muros da escola.
A imagem do professor sempre foi associada ao exemplo, ao equilíbrio e à orientação.
Quando um educador aparece em situações polêmicas, a repercussão é inevitável.
Vivemos na era das redes sociais, onde qualquer vídeo pode ganhar o mundo em poucos minutos.
Nesse cenário, a exposição da vida pessoal também traz consequências públicas.
Principalmente quando se trata de profissionais que trabalham diretamente com crianças e jovens.
A sociedade ainda espera que professores tenham postura ética e comportamento responsável.
Isso não significa que o professor deixe de ter vida privada.
Mas significa compreender que sua conduta influencia alunos e famílias.
Ser educador é assumir um compromisso moral com a formação das novas gerações.
Muitos pais se perguntam: que tipo de exemplo nossos filhos estão recebendo?
A escola não é apenas um espaço de conteúdo, mas também de formação de caráter.
Os estudantes observam atitudes muito mais do que escutam discursos.
O exemplo, muitas vezes, educa mais do que qualquer aula.
Por isso, episódios como esse provocam debates intensos na sociedade.
Há quem defenda liberdade total na vida privada.
Há quem defenda responsabilidade ampliada pela função educativa.
E é justamente nesse ponto que a discussão se torna necessária.
Na minha experiência de mais de três décadas na educação pública, sempre compreendi isso.
Ser professor significa carregar consigo a responsabilidade de representar a escola.
Dentro e fora da sala de aula, a postura precisa ser coerente.
Sempre procurei preservar minha imagem como educador e gestor escolar.
Isso não foi imposição de ninguém.
Foi uma escolha baseada no respeito aos alunos, aos pais e à comunidade.
Quem trabalha com educação precisa entender que é referência.
E referência não se constrói apenas com palavras, mas com atitudes.
A juventude de hoje enfrenta inúmeros desafios e influências negativas.
Por isso, o papel do professor se torna ainda mais importante.
Precisamos de educadores que inspirem confiança, disciplina e valores.
Quando episódios como esse acontecem, a sociedade tem o direito de questionar.
Não para perseguir pessoas, mas para refletir sobre o papel da escola.
A educação precisa recuperar o respeito e a autoridade moral do professor.
Ser educador é muito mais que uma profissão.
É uma missão social.
E toda missão exige responsabilidade, consciência e exemplo.
MARCELO BRAGA


quarta-feira, 18 de março de 2026

 


ARTIGO 18/03/2026
A GERAÇÃO SEM RUMO: A ESCOLA PERDEU A AUTORIDADE OU A FAMÍLIA ABANDONOU A EDUCAÇÃO?

Nos últimos anos, um tema tem preocupado profundamente professores, gestores e especialistas em educação: o comportamento dos alunos dentro das escolas. Indisciplina, desinteresse, apatia e falta de responsabilidade passaram a fazer parte do cotidiano de muitas salas de aula no Brasil. Não se pode generalizar, pois ainda existem alunos comprometidos e dedicados. Porém, a realidade observada em muitas escolas mostra que uma grande parcela dos estudantes demonstra pouco interesse pelos estudos e pelas regras básicas de convivência.

Professores relatam diariamente dificuldades para conduzir as aulas. Conversas paralelas, uso excessivo de celular, falta de respeito e desmotivação são situações cada vez mais comuns. Uma pesquisa nacional revelou que 63% dos professores brasileiros apontam a falta de disciplina e o desinteresse dos alunos como um dos maiores desafios da educação básica. Além disso, 59% dos docentes também reclamam da falta de envolvimento das famílias na vida escolar dos filhos.

Esses dados mostram que o problema não está apenas dentro da escola, mas também fora dela. A educação de uma criança ou adolescente não é responsabilidade exclusiva do professor. A família tem papel fundamental na formação de valores como respeito, responsabilidade e disciplina.

Estudos acadêmicos apontam que a indisciplina escolar tornou-se um fenômeno frequente no cotidiano das escolas e pode comprometer seriamente o processo de ensino e aprendizagem. Em ambientes onde o comportamento inadequado é constante, o professor acaba gastando grande parte do tempo tentando controlar a turma, em vez de ensinar o conteúdo planejado.

Outro aspecto preocupante é o comportamento dos alunos no final da educação básica. Muitos estudantes chegam ao 3º ano do Ensino Médio sem saber o que querem para o futuro. Falta projeto de vida, falta interesse por uma profissão e, muitas vezes, falta até mesmo a consciência da importância do estudo para a construção de um futuro digno.

Isso revela um problema educacional e também social. Quando o jovem não aprende limites, responsabilidade e compromisso durante a formação escolar, corre o risco de levar esses comportamentos para a vida adulta. Pesquisadores apontam que a indisciplina na escola pode gerar consequências negativas para a aprendizagem e para o desenvolvimento social do estudante.

Em muitas situações, o professor se sente sozinho nessa luta. Há pais que comparecem à escola apenas quando o problema já está grave. Outros simplesmente transferem toda a responsabilidade da educação para os professores e gestores. Pesquisas indicam que a ausência de acompanhamento familiar é um dos fatores que contribuem para o aumento da indisciplina nas escolas.

Outro fenômeno preocupante é a falta de motivação. Muitos alunos parecem estar fisicamente presentes na sala de aula, mas mentalmente distantes. Falta interesse, falta curiosidade e falta compromisso com o próprio futuro. Em alguns casos, a escola passou a ser vista apenas como uma obrigação e não como um espaço de crescimento e aprendizagem.

É evidente que existem muitos fatores envolvidos: mudanças sociais, influência da tecnologia, excesso de tempo nas redes sociais, falta de limites em casa e até a desvalorização do professor na sociedade. Tudo isso acaba refletindo dentro da sala de aula.

Entretanto, é preciso dizer algo que muitos evitam falar: educação exige limites. A escola precisa de regras, disciplina e respeito. Sem esses pilares, o processo educativo se torna frágil e ineficiente.

Também é fundamental reforçar que nem todos os alunos apresentam esse comportamento. Há jovens responsáveis, dedicados e determinados. Porém, infelizmente, eles acabam sendo prejudicados pelo ambiente de indisciplina criado por outros colegas.

Se nada for feito, o problema pode se agravar. Jovens que crescem sem responsabilidade e sem compromisso podem se tornar adultos despreparados para enfrentar os desafios da vida profissional e social.

Portanto, é urgente que escola, família e sociedade voltem a caminhar juntas. A educação não pode ser terceirizada. Professores precisam ensinar, mas pais precisam educar.

Recuperar valores como respeito, disciplina e responsabilidade talvez seja um dos maiores desafios da educação atual. E quanto mais tempo demorarmos para enfrentar essa realidade, maiores serão as consequências para o futuro da sociedade.

A pergunta que fica é simples, mas necessária:
estamos realmente preparando nossos jovens para a vida ou apenas fingindo que estamos educando?

MARCELO BRAGA

quarta-feira, 11 de março de 2026

 

ARTIGO - 11/03/26

PENEIRAS DE FUTEBOL: SONHO OU NEGÓCIO?
OS CUIDADOS QUE PAIS E JOVENS DEVEM TER
No Brasil, o futebol sempre foi visto como um caminho possível para ascensão social. Milhares de crianças e jovens sonham em se tornar jogadores profissionais e ajudar suas famílias por meio do esporte. Nesse cenário, surgem as chamadas “peneiras de futebol”, testes organizados por clubes, escolinhas ou empresas que prometem descobrir novos talentos. Porém, junto com a esperança, também aparecem dúvidas, custos e até riscos que pais e atletas precisam conhecer.
As peneiras são processos seletivos utilizados pelos clubes para observar jovens jogadores e selecionar aqueles que poderão integrar as categorias de base. Normalmente participam crianças e adolescentes menores de 18 anos, que passam por avaliações técnicas em jogos e treinos supervisionados por olheiros ou treinadores.
Em teoria, essa seria uma oportunidade de mostrar talento e iniciar uma carreira no futebol. Entretanto, a realidade mostra que as chances são extremamente pequenas. Em muitos casos, centenas de jovens participam de uma única peneira e apenas um ou dois são selecionados.
Quanto custa participar de uma peneira
Um dos pontos que gera maior preocupação é o custo. Existem peneiras gratuitas, geralmente organizadas por grandes clubes ou projetos sociais. Porém, muitas avaliações são pagas, principalmente quando organizadas por escolinhas, empresários ou empresas intermediárias.
Os valores de inscrição podem variar bastante, normalmente entre R$ 30 e R$ 250 por atleta, dependendo da estrutura e da organização do evento.
Além da taxa de inscrição, existem outros gastos indiretos que muitas famílias acabam enfrentando:
Transporte até outra cidade
Hospedagem e alimentação
Exames médicos obrigatórios
Uniformes ou equipamentos
Somando todas essas despesas, uma família pode gastar entre R$ 300 e R$ 1.000 ou mais para participar de apenas uma peneira fora de sua cidade.
E muitas vezes os jovens precisam participar de várias peneiras pelo país até terem alguma chance de serem observados por um clube.
A realidade do futebol profissional
Outro fator importante é compreender a realidade do futebol. O número de jovens que desejam se tornar jogadores é enorme, enquanto o número de vagas nos clubes é extremamente limitado.
A faixa etária mais procurada pelos clubes está entre 10 e 15 anos, quando os atletas ainda estão em fase de desenvolvimento físico e técnico.
Mesmo assim, a maioria não consegue chegar ao futebol profissional. Muitos passam por diversas peneiras sem serem selecionados, e outros até entram nas categorias de base, mas acabam dispensados anos depois.
Quando a peneira vira negócio
Infelizmente, também existem casos em que o sonho do futebol acaba sendo explorado financeiramente. Algumas empresas ou escolinhas divulgam peneiras com promessas exageradas de acesso a grandes clubes, cobrando taxas elevadas sem garantia real de avaliação oficial.
Especialistas alertam que clubes grandes normalmente não cobram taxa para peneiras oficiais, e que os custos geralmente aparecem nas despesas de viagem e preparação do atleta.
Por isso, é fundamental que pais e responsáveis investiguem:
>Se a peneira é realmente ligada a um clube
>Quem são os organizadores
>Se existe documentação e autorização
>Qual será o processo de avaliação
Cuidados que pais e jovens devem ter
Para evitar frustrações ou prejuízos, alguns cuidados são essenciais:
>Verificar a credibilidade da peneira e se há vínculo real com clubes.
>Desconfiar de promessas de sucesso garantido.
>Evitar pagar valores altos sem garantia de avaliação oficial.
>Priorizar a educação escolar do jovem.
>Entender que o futebol é um sonho possível, mas difícil.
Sonho, talento e responsabilidade
O futebol continuará sendo uma paixão nacional e sempre revelará talentos extraordinários. No entanto, é fundamental que pais e jovens compreendam que a peneira é apenas uma oportunidade — não uma garantia de carreira.
Quando bem organizadas, elas podem revelar jogadores. Mas quando mal conduzidas, podem apenas alimentar ilusões e gerar gastos desnecessários.
Portanto, mais importante do que correr atrás de qualquer peneira é buscar formação esportiva, educação e orientação profissional, para que o sonho do futebol não se transforme em frustração.
MARCELO BRAGA

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